Brasília, DF- A Operação Vampiro, que prendeu 14 pessoas, das quais 6 funcionários do Ministério da Saúde, já apurou desvios de R$ 2 milhões. Nos últimos seis anos, o volume de recursos desviados soma mais de R$ 10 bilhões, entre grandes e pequenos golpes.
Mas o esquema tem pelo menos 12 anos. Começou na era Collor, se manteve na gestão de Fernando Henrique Cardoso e seguiu no governo Lula. A descoberta, agora, apontou como envolvidos assessores diretos do ministro Humberto Costa, como o ex-coordenador-geral de Logística Luiz Cláudio Gomes da Silva.
Fraudes foram constatadas em concorrências que na compra de fator 8 e fator 9, dois concentrados de hemoderivados que, caso faltem a determinados pacientes, podem levá-los à morte. O primeiro, por exemplo, destina-se a crianças hemofílicas menores de oito anos ou a soropositivos.
Grande parte do dinheiro roubado dos cofres públicos saiu de áreas essenciais como a saúde, educação, geração de empregos e obras de infra-estrutura. Se conseguisse recuperar todo o dinheiro desviado, o governo poderia, por exemplo, construir quase 1,5 milhão de casas populares de dois quartos, ou manter cerca de 11 milhões de crianças nas salas de aulas, por um ano.
''Desde o começo do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que tratássemos a questão da corrupção com firmeza, dentro e fora do governo'', afirma o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.
A lentidão para punir os culpados, ou mesmo para concluir inquéritos que apuram desvio de recursos, ainda é uma característica nacional. O caso mais conhecido é da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), de onde saíram R$ 3 bilhões para projetos agropecuários que nunca foram realizados.
As fraudes no Ministério da Saúde poderão ser bem maiores, segundo avaliação de investigadores que trabalham no caso. O próximo passo é apurar as fraudes no Sistema Único de Saúde (SUS), um ralo por onde podem ter sido desviados outros R$ 10 bilhões.

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