Preocupado com a repercussão das fraudes envolvendo o Grupo de Apoio a Pessoas com Câncer (GAPC) e a Associação Brasileira de Assistência a Pessoas com Câncer (Abrapec), o presidente do Hospital do Câncer de Londrina, Nelson Dequech, alerta a população sobre os procedimentos de arrecadação de doações feitos pelo hospital.
Segundo Dequech, a notícia sobre a fraude das entidades não foi nenhuma novidade para a administração do hospital. ''Sempre procuramos alertar a população. Nunca recebemos dinheiro algum dessas entidades e elas sempre acabavam usando o nome do hospital para convencer as pessoas a fazeram doações'', disse.
Na última quinta-feira, a polícia do Paraná desmantelou o esquema de desvio de dinheiro das ONGs, que alegavam ter caráter assistencial e atuavam em vários estados brasileiros. Pelo menos 16 pessoas acusadas de estarem envolvidas nas fraudes foram presas. Acredita-se que dois terços das doações feitas às entidades eram embolsados pelos seus dirigentes, valores que já teria chego a R$ 30 milhões, somente no último ano.
Dequech disse estar preocupado com a reprecussão do caso, mas admitiu estar tranquilo por acreditar que, a partir de agora a população, se atentará mais na hora de ajudar alguma entidade que atua alegando apoiar pessoas com câncer. ''Tem gente que vende saco de lixo, mel, pano de prato e diz que o dinheiro é para o Hospital do Câncer. O hospital é da comunidade e dependemos de doações. Não podemos deixar que isso prejudique nosso trabalho'', comentou.
Atualmente o Hospital do Câncer de Londrina atende cerca de 2.300 pacientes. A dívida mensal chega a R$ 300 mil, totalizando uma dívida contábil de R$ 12 milhões. O presidente alertou que o hospital não busca doações em casa, por meio de motoqueiros, e que a população só pode ajudar o instituto de duas maneiras: carnês que possibilitam depósito bancário em nome do hospital ou desconto na conta de luz da Copel.
''A pessoa escolhe o valor que deseja doar. Nunca ligamos na casa de ninguém pedindo dinheiro, não temos cobradores. Com a revelação dessa fraude, um tumor malígno foi estirpado e isso vai deixar de prejudicar o hospital. Nossos controles são abertos a toda população que pode vir até aqui e conhecer nosso trabalho a qualquer momento'', finalizou.

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