Fraude processual pode ter sido cometida
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terça-feira, 25 de maio de 1999
Por Eliane Azevedo 
Rio, 26 (AE) - A fraude processual poderá ficar evidenciada se ficar comprovado que as duas fitas entregues pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) à Polícia Federal (PF)
para as investigações sobre o grampo no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), foram editadas a partir das 46 divulgadas pelo jornal "Folha de S.Paulo". Segundo a procuradora da República Silvana Batini, que acompanha o inquérito, as fitas são a prova da materialidade do crime.
"Essa prova pode ter sido adulterada e manipulada", afirmou. O MP pediu as 46 fitas à "Folha de S.Paulo" para ser realizada perícia e, com isto, também averiguar se as gravações que foram divulgadas em novembro pertencem a este mesmo pacote. As fitas que vieram a público em 1998 tem um laudo do Instituto Nacional de Criminalística (INC), comprovando que elas foram editadas.
O Ministério Público Federal (MPF) e a PF, se caracterizada a adulteração, vão investigar a autoria da edição. "Teríamos de discutir se essa investigação faria parte do inquérito já aberto ou se seria necessário abrir outro", disse Silvana. O inquérito teve o segredo de Justiça quebrado ontem (25), mas, até o fim da tarde de hoje, a 2ª Vara Federal do Rio não havia liberado os autos: algumas partes ainda estão sob sigilo, como por exemplo, o conteúdo das fitas e extratos telefônicos e o material estava sendo separado pelos procuradores.
"Decidimos pedir a quebra do segredo em nome de interesse público e para mostrar o que foi feito", disse a procuradora. "Até agora, não se chegou à autoria do crime e o inquérito caminhava para um final frustante, mas a divulgação das 46 fitas deu um novo fôlego às investigações", obervou.
Segundo ela, o Ministério Público, embora suspeitasse da existência de outras gravações, ficou perplexo com a divulgação de novas fitas. Ela afirmou que é possível que se torne necessário ouvir as novas vítimas do grampo citadas na reportagem. Uma delas, identificada pela "Folha de S. Paulo", seria a consultora do Opportunity Elena Landau.


