O Ministério da Previdência terá um prejuízo de cerca de R$ 720 milhões em 98 com o pagamento de benefícios fraudulentos concedidos nas cidades. A estimativa, do inspetor-geral do ministério, João Ignácio Pereira da Costa, está fundamentada no percentual de fraudes descobertos em 2.664.299 benefícios urbanos examinados desde 1992 - 151.728 foram cancelados. ‘‘A cada cem benefícios investigados entre cinco e seis são fraudulentos’’, afirmou Pereira da Costa, responsável pela programação e execução do combate à fraude e corrupção na Previdência.
‘‘Como ainda falta analisar 8.997.994, isso significa dizer que 502 mil desses devem ser fraudulentos.’ A média de valor de cada benefício urbano é de 2,26 salários mínimos, mas a inspetoria do ministério usou apenas um salário mínimo como base do cálculo apresentado ontem, no Rio. ‘‘Estamos fazendo a conta do prejuízo por baixo’’, alertou. Ele previu que a cada mês deste ano serão pagos indevidamente R$ 60 milhões aos fraudadores da Previdência.
Em almoço promovido pela Câmara de Comércio Americana, no Clube Americano, Pereira da Costa disse que o trabalho da inspetoria já conseguiu economizar em torno de R$ 4,98 bilhões com o cancelamento de benefícios fraudulentos. ‘‘A União deixou de pagar essa quantia a fraudadores, mas recuperou muito pouco, cerca de R$ 30 mil ou R$ 40 mil do que foi pago antes de ser descoberta a fraude.’
No encontro, Pereira da Costa lembrou que a inspetoria trabalha com mil pessoas - em São Paulo são 400 -, número muito inferior ao necessário para o exame rápido de todos os benefícios. A média mensal de avaliações é de 39.766 benefícios. ‘‘O trabalho é lento e, com esse contingente, só poderíamos terminar as análises dos 11.662.293 de benefícios urbanos em vigor hoje no Brasil em 18 anos e dez meses’’, alertou.
Pereira da Costa contou que existem mais de 90 modalidades de fraude no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), divididas nas áreas de benefícios previdenciários, nos cálculos de ações judiciais nas quais o INSS é parte, na arrecadação e fiscalização do instituto e nas comprovações de recolhimentos pela rede bancária. O inspetor acrescentou que o ministério está investigando 9.400 fraudes só em Pernambuco e que o Espírito Santo desponta como um dos estados onde há mais irregularidades.
Disse também que 18 mil processos de indenização contra o INSS já foram anulados pela Justiça. ‘‘Todos eram irregulares.’

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