Curitiba, 29 (AE) - A estimativa das empresas de seguro é que cerca de 20% das indenizações pagas no Brasil são fraudulentas. O dado foi apresentado hoje, em Curitiba, pelo presidente da empresa Cadastro Nacional de Informações e Serviços (CNIS), Pedro Paulo Negrini, em reunião com diretores do Sindicato das Seguradoras do Paraná. "A fraude não prejudica apenas o segurador, mas o segurado, pois acresce preço e atrasa o pagamento de indenizações", afirmou Negrini.
Segundo dados do presidente da CNIS, que tem 200 funcionários trabalhando na detecção de fraudes em empresas seguradoras, a arrecadação do mercado segurador brasileiro de seguros é de R$ 20 bilhões ao ano. Em indenizações são pagos cerca de R$ 14 bilhões. E, desse valor, 20% são para sinistros fraudados. "Essa sinistralidade artificial vai alterar o valor do prêmio", disse Negrini.
De acordo com ele, nos Estados Unidos estima-se que cada segurado paga por ano US$ 500 a mais que o devido, em razão da sinistralidade artificial, estimada em 15%. "Nós ainda não conseguimos fazer o cálculo desse valor no Brasil", disse. Mas o problema preocupa cada dia mais as empresas de seguro. "O golpe decorre da simples esperteza, passa por alguém que já cometeu a fraude e chega a quadrilhas", lamentou Negrini.
"Parte-se já para um crime organizado." Negrini disse que o custo da fraude torna-se mais alto na medida em que a estrutura policial é falha. "Exige-se do empresário investimentos mais altos para fazer o trabalho de investigação"
afirmou. Sua empresa, por exemplo, trabalha em cerca de 20 mil processos por mês.
"O mecanismo tem que detectar, comprovar e levar o problema quase resolvido para as autoridades." Por isso, Negrini lamenta que poucos casos têm sido descobertos e resolvidos.

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