Fraude em bolsas da UFPR põe na prisão de taxista a pedreiro
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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017
Estelita Hass Carazzai e Sidney Gonçalves do Carmo<br>Folhapress 

São Paulo e Curitiba - Ao menos 28 pessoas foram presas pela Polícia Federal nesta quarta-feira (15) durante uma operação que investiga fraudes milionárias no repasse de bolsas de estudo a pessoas sem vínculos com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) entre 2013 e 2016. Segundo a investigação, os suspeitos desviaram cerca de R$ 7,4 milhões em bolsas de pesquisas para 27 pessoas "sem qualquer vínculo acadêmico com a universidade", entre 2013 e 2016. Entre eles havia ajudantes de cozinha, taxistas, aposentados, donos de salões de beleza, um pedreiro, uma vendedora de roupinhas de boneca Barbie e beneficiários do Bolsa Família. A PF investiga se eles agiram como laranjas.
Também foram detidas duas servidoras da UFPR: Conceição Abadia de Abreu Mendonça e Tânia Marcia Catapan, da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação. Conceição era chefe do controle e execução orçamentária, e Tânia, secretária administrativa do gabinete. Foram citadas como responsáveis pelas ordens de pagamento das bolsas fraudulentas.
O delegado Felipe Hayashi, que coordenou a operação, disse estar "estarrecido com essa fraude grosseira". "Quantos pesquisadores sérios deixaram de receber recursos, enquanto esse dinheiro todo estava sendo desviado?", afirmou João Manoel da Silva Dionísio, secretário de controle externo do Tribunal de Contas da União (TCU).
A fraude, segundo a PF, foi detectada pelo TCU e comunicada à UFPR. A operação foi realizada em parceria também com a Controladoria-Geral da União (CGU). Alguns dos investigados chegavam a receber até R$ 24 mil por mês em bolsas de pesquisa. "Nem os professores mais titulados da instituição receberam tanto em bolsa. É estarrecedor", disse Hayashi. O ex-reitor da UFPR Zaki Akel também foi intimado a depor, na tarde desta quarta (15). A PF ainda investiga se havia conivência da reitoria.
ESQUEMA
As bolsas dos 27 investigados foram pagas a título de auxílio à pesquisa, para estudos no País e no exterior, num total de R$ 7,34 milhões. Boa parte dos beneficiários, porém, não tinha nem ensino superior, e nenhum possuía currículo na plataforma Lattes obrigatório para concessão de bolsas acadêmicas.
O processo de autorização de pagamento era "simplório", segundo a PF, sem qualquer referência ao objeto de estudo ou grupos de pesquisa e professores da UFPR. Instadas a apresentar a justificativa dos pagamentos, Conceição e Tânia informaram, em ofício à UFPR, que os documentos foram "descartados devido a alagamentos" na pró-reitoria. O juiz federal Marcos Josegrei da Silva suspendeu o exercício da função pública das duas servidoras e determinou o bloqueio das contas.
Em nota, a UFPR informou que, assim que tomou conhecimento da suspeita, em dezembro de 2016, determinou a abertura de sindicância. Disse ainda que solicitará a restituição dos valores. O reitor da UFPR, Ricardo Marcelo Fonseca, determinou a criação de um comitê para aperfeiçoar os mecanismos de controle.
A reportagem não conseguiu contato com os advogados das servidoras, que ainda não haviam constituído defesa nos autos até a noite desta quarta-feira.


