Fraudadores passam festas em casa
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de dezembro de 1996
Cláudio Renato Agência Estado, do Rio 
Os fraudadores do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), responsáveis por um rombo de US$ 550 milhões na Previdência, ganharam o direito de passar o Natal e o Ano Novo em casa. O benefício foi concedido pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio, sob a alegação de que eles teriam cumprido um terço da pena e são presos de bom comportamento. Entre os beneficiados está o maior de todos os fraudadores, o advogado Ílson Escóssia da Veiga, responsável pelo desvio de US$ 182 milhões, segundo o procurador do INSS Zander Martins de Azevedo, que investiga as fraudes contra o Instituto.
Veiga tem contra ele condenações de 14 anos e 6 meses na Justiça estadual e de 11 anos na Justiça federal. Ele estava preso no 12º Batalhão da Polícia Militar, em Niterói, no Grande Rio, com outros sete fraudadores, que também foram beneficiados. A concessão do benefício supreendeu o procurador Azevedo, já que, segundo ele, Veiga e a advogada Jorgina Fernandes, que está foragida provavelmente na América Central, são responsáveis pela metade do rombo contra a Previdência. Jorgina é acusada de desviar US$ 112 milhões.
Dos grandes fraudadores, apenas o ex-juiz e ex-deputado Nestor José do Nascimento não foi beneficiado com a licença para passar as festas em casa. Os condenados só terão que se apresentar em 3 de janeiro. Durante toda a semana passada, o procurador da República no Rio Arthur Gueiros tentou impedir que o benefício fosse concedido.
É um absurdo esta decisão, protestou a deputada federal Cidinha Campos (PDT-RJ), relatora da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou as fraudes contra a Previdência Social. A deputada acredita que, com os terrenos e investimentos no Exterior, a fortuna de Veiga deve chegar aos US$ 500 milhões.
Outros Além de Veiga, foram beneficiados com a licença para as festas de fim de ano os ex-procuradores do INSS Tainá de Souza Coelho, Hélio Ribeiro de Souza, Armando Avelino Bezerra, Marcílio Gomes da Silva e os advogados Fábio Cândido de Souza, Wilson Ferreira (sobrinho de Veiga), Paulo Fernando Batista, Wilson Luiz dos Santos, e os irmãos Roberto e Astor Pontes de Miranda (os dois últimos cumprem pena na Penitenciária Agrícola de Magé, no interior do Estado).
O advogado Ílson Escóssia da Veiga surpreendeu o desembargador Newton Dorestes Batista, relator do processo sobre as fraudes contra o INSS, quando a Justiça descobriu que, só numa ação, na 5ª Vara Cível de Duque de Caxias, ele conseguiu roubar US$ 88 milhões do Instituto. O dinheiro foi desviado a título de indenização para o motorista de empilhadeira Alaíde Ximenez, que também foi condenado e está preso.
Do dinheiro roubado, Ximenez ficou com US$ 20 milhões. O restante do dinheiro, segundo apurou a Justiça, foi divido entre os fraudadores. Em um dos apartamentos de Veiga, em Ipanema, no Rio, a polícia encontrou 80 quilos de ouro. Ele é dono de metade dos terrenos que circundam o Aeroporto de Miami, garante a deputada Cidinha Campos.


