Fraudadores negociam ações inexistentes na Bolsa do Rio
há três semanas, operações fraudulentas de negociação de ações inexistentes na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ). As operações envolvem duas corredoras, a Pacto e a Previbank, e provocaram a demissão de um funcionário da CLC, informou hoje o presidente do Conselho da Câmara, o advogado Luís Octavio da Motta Veiga. A CLC usou de R$ 2,5 milhões a R$ 3 milhões de seu fundo de contingência para cobrir o rombo com as operações, segundo Motta Veiga. A quantia corresponde a cerca de 10% do volume negociado ontem (13) na BVRJ, de 25,3 milhões. Segundo o advogado, foram feitas procurações forjadas de clientes destas duas corredoras, para incluir em suas carteiras e em carteiras de clube de investimento das duas instituições ações que na verdade eles não tinham. O funcionário demitido estava envolvido na elaboração das procurações forjadas, afirmou Motta Veiga. O advogado informou que a CLC vai cobrar dos responsáveis pela fraude o dinheiro que foi gasto para cobrir o rombo. Mas ele afirmou que ainda é cedo para identificar quem foram os responsáveis. Também ainda não há como ter certeza se os clientes das duas instituições tinham conhecimento da fraude ou foram usados sem saber, afirmou. Defesa - O diredor de Operações da Previbank, Geraldo Coura, responsabilizou a CLC e um cliente da instituição, Gilmar Neves, pela fraude. Segundo Coura, em 1997, por ordem de Coura, a Previbank incluiu em seu nome ações da Telegoiás e Telelpe - que foram confirmadas por um funcionário da Câmara de Liquidação, que ele identificou apenas como Prestes. Mais tarde, estas ações foram vendidas na Sociedade Operadora do Mercado de Ativos (Soma), contou. Segundo Coura, a Previbank foi usada no caso, sem ter conhecimento da irregularidade. "Neves ligava para mim e dizia que iriam entrar tantos milhões de ações e não era para estranhar", lembrou. "Eu ligava para o Prestes e ele confirmava", contou. Para ele, o valor da venda das ações inexistentes foi pequeno em relação ao volume que costuma ser negociado por Neves. Procurado hoje, o cliente da Previbank não foi achado em seu escritório no Rio. De acordo com Coura, um advogado de Guedes já teria negociado com a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro um acordo para pagar o prejuízo causado pela negociação dos papéis fraudulentos. Para o diredor da corredora, o caso põe em dúvida a credibilidade da segurança da Câmara, responsável por confirmar e acompanhar operações financeiras na BVRJ. "Se toda a corredora perder a confiança em um documento confirmado pela CLC
acabou a CLC", reclamou. Queixa-crime - Motta Veiga informou que a CLC está sendo assessorada pelo advogado criminalista Luiz Guilherme Vieira, para avaliar se há elementos que possam ser usados em uma notícia-crime, para a fraude ser investigada pela polícia. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já foi informada do caso e vai receber as informações totais sobre a história amanhã ou na quinta-feira, afirmou o presidente do Conselho da CLC, para tomar as providências necessárias.Por Gustavo Alves Rio, 14 (AE) - A Câmara de Liquidação e Custódia (CLC) investiga





