Frango vivo chega a R$ 1,00 na granja; frigorífico reduz abate
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 1999
Por Alda do Amaral Rocha 
São Paulo, 18 (AE) - O frango vivo está sendo negociado por R$ 1,00 o quilo no Estado de São Paulo, 20 centavos acima do preço da quinta-feira da semana passada, e frigoríficos que se abastecem apenas no mercado paralelo - o dos avicultores independentes - estão tendo de reduzir o abate. Outros, que trabalham em sistema de integração, mas também entram no paralelo para complementar o abate, estão comprando menos. Os abatedouros dizem ter dificuldades de repassar a alta para o frango resfriado.
Corretores deste mercado e fontes de abatedouros disseram que a alta do frango vivo é reflexo da menor oferta do produto porque houve redução no alojamento de pintinhos de corte em São Paulo entre a última semana de dezembro de 1998 e a primeira de janeiro, em função da queda dos preços do vivo naquele período - de R$ 0,90 para R$ 0,60 o quilo.
Além disso, o aumento dos preços de alguns insumos por causa da desvalorização cambial, que elevou o custo de produção, também teria levado a um menor alojamento, segundo as fontes. Na última semana, as fontes apontavam a antecipação do abate por causa do Carnaval como um dos motivos para a alta, já que frigoríficos compraram maiores volumes para abater no último sábado.
UBA - O secretário-executivo da União Brasileira de Avicultura(UBA), Clóvis Puperi, disse que a nova alta do frango vivo em São Paulo não se sustenta porque não há condições de repassar para o abatido no atacado e para o consumidor.
Segundo ele, o movimento de alta ainda é uma reação ao aumento dos custos de produção na avicultura após a desvalorização cambial, já que o farelo de soja e outros componentes da ração, além de matrizes e avós, são cotados em dólar.
Pelos cálculos da UBA, houve uma aumento de 15% a 19% nos custos, dependendendo da região de produção. Puperi disse que essa alta deve ser repassada gradativamente para o frango vivo, que com isso seria negociado na faixa de R$ 0,80 a R$ 0,85 o quilo.
Para o secretário da UBA, a recente alta não está relacionada à menor oferta de frango vivo, uma vez que a estimativa é de um aumento de cerca de 8% no alojamento nacional de pintos de corte em janeiro. "Não acredito que haja uma menor oferta no País. Pode haver redução do alojamento, mas de forma localizada", afirmou.
Para o superintendente-executivo da Associação Paulista de Avicultura, José Carlos Teixeira da Silva, a redução na oferta é reflexo de um "hiato" na produção. Segundo ele, podem ter ocorrido problemas, como o calor, que afeta a produtividade das matrizes e aumenta a mortalidade das aves. Teixeira da Silva reconheceu que o aumento dos custos pode ter desestimulado a produção.


