Brasília, 08 (AE) - O ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, reservou hoje suas críticas mais contundentes à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), ao presidente do PDT, Leonel Brizola, e ao governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PSDB), citados nominalmente. Franco classificou a Fiesp de um "monumento vivo ao Custo Brasil".
Segundo o ex-presidente do BC, a Fiesp, comandada por Horácio Lafer Piva, é o retrato da elite brasileira, que tem profunda resistência às mudanças e que, quando se move, "move-se para o lado errado, na direção do atraso". Irônico, Franco comparou o ato promovido pela Fiesp, a favor do emprego, em dezembro passado, ao de "passeatas contra a estabilidade e o Plano Real", numa referência à premonição feita pelo jornalista Jorge Caldeira agosto de 1995.
Foi a única vez que o ex-presidente do BC teve o seu pronunciamento interrompido por aplausos, numa platéia composta, basicamente, de representantes do setor financeiro. Mais tarde, ao final do discurso, Franco seria aplaudido de pé pela maioria dos presentes.
Também não faltaram farpas ao presidente do PDT, Leonel Brizola. Na opinião de Franco, Brizola foi o único brasileiro a discordar do Plano Cruzado e seu objetivo era apenas o de propagar o desastre. "A única voz dissonante a afirmar, com aquela gestualidade retumbante de patriota inconformado, sempre a alertar para calamidades, e a denunciar interesses inconfessáveis, que o Cruzado não daria certo por causa das perdas internacionais", afirmou.
"Ninguém sabe até hoje o que são as perdas internacionais." Franco acrescentou: "Não era nada, apenas um hedge político, uma opção gratuita".
"Se aqui fôssemos conferir o Prêmio Leonel Brizola para os profetas que acertam pelas razões erradas, mesmo sem entender muito bem o que se passou, o número de candidatos seria imenso"
declarou Franco.
A Itamar, o ex-presidente do BC creditou parte dos problemas que o governo viria a enfrentar, a partir de dezembro passado, com a piora da situação interna. "Não esperávamos que o governador Itamar Franco tomasse as atitudes que tomou", disse.

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