Franco diz que volatilidade do câmbio revela falta de atuação do BC
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terça-feira, 26 de outubro de 1999
Por Mônica Ciarelli 
Rio, 27 (AE) - O ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, culpou a ausência do BC no mercado pela forte volatilidade do câmbio nos últimos meses. Defensor ferrenho do sistema de âncora cambial, um dos motivos de seu afastamento do governo em janeiro, ele disse hoje que a autoridade monetária "não pode entregar o mercado nas mãos da garotada das mesas de operação para brincarem com a taxa de câmbio".
Para Franco, que hoje aproveitou a participação de um seminário sobre energia elétrica para criticar a atuação do BC, falta clareza na forma de atuação do Banco Central, que ainda não mostrou em que nível quer que a taxa se estabilize. "O mercado só sabe que o BC não gosta quando o dólar ultrapassa dois reais ou cai abaixo de R$ 1,70", comentou. A falta de clareza é ruim porque leva o mercado a testar limites o tempo inteiro." Ele argumenta que em todos os países onde é adotado o regime de câmbio flutuante o banco central intervém para manter a estabilidade do mercado. "O BC não tem que falar, tem de agir
para não ficar prisioneiro de suas explicações", afirmou. Para ele, quando o governo abriu mão da âncora cambial, perdeu o incentivo político e promover as reformas estruturais. "Agora não tem porque lutar", declarou.
Ele ressaltou que o sistema de câmbio flutuante é "excessivamente ruim para a economia real", já que as oscilações bruscas de taxas impedem um planejamento de longo prazo. "Isso é um pesadelo para o exportador." Ele chamou a atenção para o fato de a taxa de câmbio estar subvalorizada em mais de 35% e se disse desiludido com o resultado que esta política trouxe para a economia. "Não houve o milagre que se esperava", afirmou.


