São Paulo, 20 (AE) - O ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, avalia que antes da desvalorização do início do ano o real estava apreciado em 12% e agora está depreciado em 25% em termos de poder de compra da moeda nacional. Ele acredita que o Banco Central deva atuar no mercado cambial para reduzir a volatilidade (variação nas cotações), pois isso acaba provocando distorções na economia. Segundo ele, a desvalorização descontrolada pode até mesmo prejudicar o adiamento no fechamento de câmbio por parte dos exportadores. Gustavo Franco defende ainda uma atuação do Banco Central no mercado futuro (derivativos) de câmbio como forma de reduzir a volatilidade nas cotações. O governo está procurando deixar o mercado livre e vendendo papéis cambiais para controlar a situação. Ele acredita que o mercado de derivativos teria maior eficiência em termos de induzir para uma situação de menor variação cambial.
O ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, diz que os juros básicos a 19% ao ano tem pouco espaço para cair, pois já "estão baixos". O economista observa que a taxa não está conseguindo atrair recursos externos para o país e ao mesmo tempo está induzindo a aplicações no mercado internacional, provocando uma saída de capitais do país e pressionando as cotações cambiais. Ele observa que os juros de 19% ao ano são baixos para evitar uma fuga de capitais, mas são altos do ponto de vista de custo para os financiamentos a projetos produtivos nacionais.
Inflação está reprimida - O ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, entende que as desvalorização cambiais estão provocando uma inflação reprimida, que já pode ser medida pelos índices por atacado. Para Franco, a inflação nos índices ao consumidor está correndo a 8% ao ano, enquanto no atacado chega a 23%. Para o economista, o governo deveria cortar gastos públicos e ajustar suas contas para trazer a inflação das "altas taxas de 8% de inflação anual para um nível aceitável de 2%". Franco acredita também que há uma inflação reprimida pela baixa demanda, mas se houver um crescimento no consumo as taxas inflacionárias vão aparecer.

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