Francisco assina decreto de canonização de José de Anchieta
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quinta-feira, 03 de abril de 2014
José Maria Mayrink<br>Agência Estado 
São Paulo - O papa Francisco assinou o decreto de canonização do Padre José de Anchieta, a portas fechadas, por volta das 11h20 de ontem (6h20 no horário de Brasília), durante audiência particular ao prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, cardeal Angelo Amato, que após o encontro confirmou aos jesuítas que o Apóstolo do Brasil já era finalmente santo. Foi o fim de um longo processo que, iniciado em 1597, logo após a morte do missionário, foi interrompido várias vezes, por razões políticas e financeiras.
"Vamos agradecer a Deus por ter dado Anchieta a todos nós. O Santo Padre é o primeiro a agradecer, porque ele viu, de fato, que Deus está querendo que se coloque para os homens do mundo inteiro este exemplo de amor à humanidade, que é José de Anchieta", declarou o vice-postulador da causa de canonização, o padre jesuíta César Augusto dos Santos, também responsável pelo Programa Brasileiro da Rádio Vaticano. Após a assinatura do decreto, ele participou da festa de comemoração dos 80 anos de fundação do Colégio Pio Brasileiro, para sacerdotes que fazem pós-graduação em Roma, onde só se falava do novo santo.
O preposto ou superior geral da Companhia de Jesus, padre Adolfo Nicolàs, afirmou em mensagem dirigida aos jesuítas que sua comunidade não pode deixar de valorizar "esta figura polivalente, estimulante e de extrema atualidade". Os dois santos canonizados em menos de um ano por Francisco, Pedro Fabro e José de Anchieta, observou, "cumpriram missões tão diferentes e, não obstante isto, tão similares no espírito da Companhia, que deve animar nossa missão". Fabro foi companheiro de Santo Inácio de Loyola entre os primeiros jesuítas.
Padre Nicolàs lembrou que "José de Anchieta, de estatura média, magro, mas forte e decidido no espírito, bronzeado na cor da pele, de olhos azuis, fronte larga, alegre e amável de caráter, passou 44 anos de sua vida percorrendo boa parte do território do Brasil, levando a boa notícia do Evangelho aos indígenas". E acrescentou: "Logo nos deparamos com o primeiro paradoxo deste jovem jesuíta: o forte contraste entre a sua fragilidade física e a intensa vitalidade apostólica, que levou em frente ininterruptamente por 44 anos, percorrendo numerosas regiões do Brasil, até a sua morte aos 63 anos".
Na audiência com o cardeal Amato, o papa Francisco promulgou também os decretos de canonização dos franceses Francisco de Laval e Maria da Encarnação, que foram missionários no Canadá no século 17 - ele como bispo de Québec e ela como fundadora do Mosteiro das Ursulinas, na mesma cidade. Ambos foram beatificados junto com Anchieta pelo papa João Paulo 2º, em 1980.



