Francischini nega responsabilidade na ação da PM
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de maio de 2015
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba Em sua primeira manifestação pública após a ação policial que deixou mais de 200 servidores estaduais feridos no último dia 29 de abril, no Centro Cívico, o secretário estadual de Segurança Pública, Fernando Francischini, negou ser responsável pela operação e disse que sua secretaria, como gestora administrativa, deu a estrutura necessária para a Polícia Militar. Ele também disse lamentar o episódio, mas voltou a afirmar que grupos radicais foram responsáveis pelo que ocorreu na semana passada, quando mais de 200 pessoas ficaram feridas, entre professores e servidores, no dia em que eram votadas as mudanças na Paranaprevidência. Francischini disse que o planejamento operacional é da PM e que a atuação "na ponta" é da polícia. As declarações do secretário fizeram aumentar os rumores ontem à noite de que haveria troca no comando-geral da PM, até ontem sob responsabilidade do coronel César Kogut. Procurada pela FOLHA, a assessoria de imprensa da corporação negou qualquer troca e informou que o comando se pronunciará hoje sobre o assunto.
Francischini disse lamentar o episódio histórico. "Nós lamentamos. As imagens são terríveis. Nunca tinha imaginado que um confronto como esse terminasse de maneira tão lastimável, com vítimas de ambos os lados. Não podemos comemorar o quanto melhor, pior", disse Francischini na coletiva. Segundo ele, será instaurado um inquérito policial com todo o rigor necessário pra apurar qualquer tipo de abuso ou excesso cometido. O secretário afirmou já ter conversado com o procurador-geral de Justiça, Gilberto Giacóia, para designar um promotor de Justiça especialmente para acompanhar todos os atos nesse inquérito policial.
"Por outro lado, nós temos que fazer um inquérito que avalie a atuação desses grupos radicais que foram o grande estopim desse confronto, infelizmente", disse. No entanto, o secretário evitou falar se houve ou não abusos, excessos ou desproporcionalidade na ação da polícia.
Durante a entrevista coletiva, Fernando Francischini mostrou vídeos com indícios de participação de "grupos radicais" - que incluem black blocs" - no protesto. Segundo ele, o estopim da crise teria sido motivada por esses grupos. As imagens apresentadas ontem mostram jovens misturando um pó branco em garrafas de plástico, o que a polícia acredita que poderiam ser bombas de cal. Há ainda cenas de bloqueio de ruas e de manifestantes arremessando pedras e garrafas.
DIREITOS HUMANOS
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil Seção Paraná (OAB-PR), José Carlos Cal Garcia Filho, reafirmou que até às 23h30 da última quarta-feira "não houve notícia de apreensão de quaisquer artefatos" como pedras, paus e coquetel molotov. Segundo ele, foram lavrados termos circunstanciados que foram encaminhados ao Juizado Especial Criminal sem conter estes elementos, ou seja, estes artefatos. Segundo a Defensoria Pública do Estado do Paraná, nenhum dos 14 presos durante a manifestação da última quarta-feira em Curitiba era black bloc nem portava artefatos perigosos. Os presos foram professores, servidores ou estudantes.


