São Paulo, 05 (AE) - Diretores de cooperativas agroalimentares francesas têm mantido contato com cooperativas de produção de soja do Rio Grande do Sul para importação de farelo de soja não-transgênica. Para eles, o Brasil, especialmente o Estado do Rio Grande do Sul, é visto como principal fornecedor potencial de farelo de soja não alterada geneticamente.
Pierre Cougant, diretor de alimentação da Cooperativa dos Agricultores de Mayenne (CAM), disse à AGÒNCIA ESTADO que a comercialização de soja não-transgênica na França depende da regulamentação do assunto pela União Européia, que definirá como será feito o controle e a certificação dos produtos alimentares não-transgênicos.
Hervé Talec, diretor de produção e alimentação animal da Copagri, disse que, embora haja atualmente uma forte pressão por parte dos consumidores por alimentos não-transgênicos, ainda não se sabe se eles vão se dispor a pagar mais por estes alimentos. "Hoje é moda não querer comer transgênicos, mas isso pode acabar em pouco tempo", afirmou Talec.
Cougant estima que o consumo de alimentos não-transgênicos não seja muito superior ao consumo de alimentos orgânicos, que atinge cerca 0,6% do mercado global. "O mercado de alimentos não transgênicos será fraco, será uma pequena parte do total", disse Cougant.
Os dois diretores disseram que o preço dos alimentos sem organismos geneticamente modificados, que deve ser bastante superior ao dos transgênicos, deve limitar seu consumo. O custo dos não-transgênicos será superior por serem produzidos em menor escala e também por exigirem cuidados de fiscalização em todas as etapas de produção.
A CAM, que produz cerca de 230 mil toneladas de ração animal por ano e consome até 45 mil toneladas de farelo de soja, fabricará uma pequena parte de ração utilizando a soja não-transgênica, segundo Cougant. "A maior parte da produção vai utilizar a soja transgênica", disse ele.
O diretor da Copagri, que tem sede na cidade de Landerneau, na Bretanha, e produz cerca de 800 mil toneladas de ração animal por ano em seis usinas na região, consumindo 200 mil toneladas de soja anuais, afirmou que a cooperativa não realizará contratos para compra de soja não-transgênica antes que haja garantia absoluta da inexistência de organismos geneticamente modificados misturados.
O diretor da Copagri afirmou que há previsão de visitas para o Brasil no início do ano que vem para avaliar as condições de produção da soja não transgênica. "É preciso que se criem estruturas para que não haja mistura nas esmagadoras, nos armazéns ou nos portos", disse.
Os diretores das duas cooperativas acreditam que os primeiros contratos para compra de soja transgênica certificada só devem acontecer no ano que vem, para que haja garantia total e também em função da necessidade de uma decisão conjunta de todos os países membros da União Européia.

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