Rio, 01 (AE) - O presidente do Movimento Empresarial da França (Medef), Ernest Antoine Seillire, avalia que a desvalorização do real frente ao dólar provocou três consequências negativas: uma é o aumento do endividamento em moeda estrangeira, a redução do resultado de empresas francesas no Brasil em relação ao da matriz e o clima de intranquilidade que provoca nos bancos franceses que emprestaram para o Brasil.
Apesar deste cenário, Seillire, que lidera uma missão de 35 empresários franceses ao Brasil, disse que depois de um um período de adaptação é retomado o curso normal do País e a desvalorização vai ser minimizada.
Seillire lembrou que a França já enfrentou esta mesma situação com outros países, como a Itália, e não vê problemas para que a questão da desvalorização da moeda brasileira seja superada. Ele destacou que a França não passou por um cenário de desvalorização tão alta, em mais de 50%, mas já conhece este processo.
Os empresários franceses estiveram no Brasil para visitar São Paulo, para aproximar-se com os setores de bens de consumo, o Rio, com interesses em telecomunicações, petróleo, turismo e construção civil, e Brasília, com objetivo de contatar representantes de governo, como o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer.
O total de ativos financeiros do setor empresarial francês no Brasil chega a US$ 30 bilhões, segundo o presidente do Medef. Seillre disse ainda que a perspectiva é de que, este ano, os franceses invistam cerca de US$ 1,2 bilhão no Brasil.
Em 1998, o montante de investimentos chegou a este valor apenas em nove meses. Não foi divulgado o valor do exercício fechado. Seillir lembrou que os investimentos franceses têm mantido-se constante. Em 1996 foi totalizado US$ 1 bilhão e em 1997, US$ 1,2 bilhão.

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