França teve ontem o seu ''dia sem médico''
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de janeiro de 2002
Raúl Zamora France Presse 
Paris - O dia sem doutor, ontem, na França, se caracterizou por uma grande mobilização dos médicos por melhores condições de trabalho, enquanto o governo continua tentando buscar soluções para a crise imensa que afeta o sistema de saúde francês, considerado entretanto como um dos melhores do mundo.
O movimento teve grande apoio dos clínicos gerais e também dos especialistas e outras categorias liberais da sa© úde. Os manifestantes desejam um aumento de seus honorários enquanto 71% dos franceses, segundo pesquisas, simpatizam com esta reivindicação apesar de os especialistas reconhecerem que os recursos estatais serão insuficientes e que uma parte do custo do aumento deverá ser paga pelos clientes.
O premier Lionel Jospin se negou a receber os líderes dos grevistas, assinalando que é preciso respeitar as instâncias estabelecidas para encontrar uma solução.
Os grevistas adotaram diversas atitudes para conquistar a simpatia da população: houve dezenas de médicos que doaram sangue em Lille; médicos que em Lyon foram às ruas tirar a pressão arterial gratuitamente; outros em Nancy que foram comprar nos mercados alimentos para os restaurantes do coração, organizações humanitárias que preparam comida para os pobres.
O sistema de saúde da França é reconhecido pela OMS como um dos melhores do mundo e cada vez são mais numerosos os britânicos que, fugindo do sistema liberal de seu país, vêm à França para se tratar.


