Lyon, 14 (AE-AP) - Uma equipe de cirurgiões internacionais executou pela primeira vez um transplante duplo de mãos e antebraços, ontem (13), em um hospital francês. O paciente, um francês de 33 anos, cujo nome não foi revelado, encontrava-se em "estado muito satisfatório" após a cirurgia, informou o hospital Edouard Herriot, hoje. Ele havia perdido os braços em 1996, em uma explosão de fábrica. O nome do doador também não foi divulgado.
A operação durou 17 horas e envolveu mais de 50 médicos, incluindo 18 cirurgiões, durante todo o processo. O time foi liderado pelo francês Jean-Michel Dubernard, e o australiano Earl Owen - os mesmos que executaram, no mesmo hospital, o primeiro transplante de mão e antebraço, em 1998.
Nesse caso, o paciente foi Clint Hallam, um neozelandês de 49 anos, que teve a mão amputado em acidente com uma cerra elétrica. O cirurgião britânico Nadey Hakim também participou da operação de ontem.
Um outro transplante de mão foi realizado, nos Estados Unidos, em janeiro do ano passado. David Scott, de 37 anos, recebeu a mão de um doador morto no país.
A cirurgia de quinta-feira, que terminou pouco antes da meia-noite, foi uma operação parecida, com os novos membros transplantados abaixo dos cotovelos.
Riscos - Esse tipo de cirurgia envolve sérios riscos. Artérias
veias, nervos, tendões, pele e músculos precisam ser conectados
e ossos precisam ser alinhados. Os pacientes precisam tomar remédios antirrejeição para suprimir o sistema imunológico do corpo e impedir que ele destrua os tecidos transplantados, mas esses mesmos medicamentos os deixam vulneráveis à doenças.
Mesmo que o paciente não rejeite o novo órgão, existem outras possíveis complicações, como perda de sensibilidade parcial ou completa. Hallam não apresentou nenhum sinal significativo de rejeição, de acordo com cirurgiões envolvidos na operação, mas se queixou de que não recuperou completamente a sensitividade e destreza de sua mão original. Ele já foi fotografado tocando piano e segurando um celular com a nova mão.
O hospital disse, hoje, que o paciente francês terá de se submeter a um regime de poderosas drogas, semelhantes àquelas prescrevidas para Hallam.
Escolha - Dubernard disse que o paciente francês foi selecionado para a cirurgia histórica por causa da sua forte personalidade. "Nós o escolhemos por que é tenaz, motivado e persistente," disse o médico.
O paciente entrou em contato Dubernard sobre a possibilidade de executar a operação depois que ouviu sobre o caso de Hallam. Inicialmente, os cirurgiões se reuniram antes do Natal em preparação para o transplante, mas na época não havia doador.

mockup