O governo francês decidiu liberar inteiramente as comunicações na área da Internet, especialmente a codificação de mensagens eletrônicas, o que corresponde uma guinada de 180 graus na sua política anterior.
Isso ocorreu durante a reunião do comitê interministerial, presidida pelo primeiro-ministro Lionel Jospin, convocada para tratar da sociedade de informação e que deveria estabelecer um balanço completo da política governamental em matéria de criptografia. Essa técnica permite codificar as mensagens trocadas pelos usuários no interior do sistema Internet.
Segundo Jospin, na expectativa de modificações legislativas, o governo optou por elevar o teto de criptografia, cuja utilização é livre, passando de 40 a 128 bits, nível que, segundo o chefe do governo, já permite uma grande segurança. A médio prazo, afirmou Jospin, ‘‘a liberdade será total’’. Dessa forma, a França está se alinhando aos demais países líderes do sistema Internet, pois praticamente nenhuma entre as nações desenvolvidos pratica restrições na utilização da criptografia em seu território.
Como outros 33 países, a França decidiu regulamentar a venda ao exterior, limitando a exportação sem licença de programas cuja chave de codificação supera os 64 bits.
Devido ao enorme desenvolvimento da potência dos computadores, a codificação das mensagens garante a confidencialidade da informação, mas dificulta o trabalho da polícia e dos serviços de informação dos governos. Ela torna indecifrável, num prazo relativamente curto, as mensagens eletrônicas, constituindo também um instrumento de proteção eficaz do correio privado. Isso constitui uma vantagem para o delinquente, o traficante ou o terrorista, permitindo que eles escapem das escutas telefônicas e de outras interceptações.
Já há algum tempo, os empresários vinham reivindicando junto ao governo a liberalização das chaves de 56 bits para desenvolver o chamado comércio eletrônico, criando ao mesmo tempo meios de proteção da comunicação dos números de cartas bancárias, quando das compras diretas, via computador. As empresas têm necessidade de utilizar esse processo para garantir também a confidencialidade da trocas de documentos (licitações, por exemplo), buscando proteger-se da chamada espionagem industrial.
Um passo importante foi dado com a liberalização do processo. O primeiro-ministro parece privilegiar, a partir de agora, a luta contra a guerra eletrônica. Diante do desenvolvimento dos meios de ‘‘espionagem eletrônica’’, o governo francês considera que a possibilidade de codificar as comunicações constitui uma resposta eficaz para proteger a confidencialidade das trocas comerciais e da vida privada. O governo francês foi além da reivindicação do lobby industrial, Microsoft e IBM, pois ambos imaginavam uma liberalização da utilização das chaves de 56 bits, surpreendendo-se com o limite de 128 bits, antes da esperada supressão total, uma decisão realista, segundo os especialistas.

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