Estrasburgo, França, 27 (AE-AP) - O primeiro-ministro da França, Lionel Jospin, disse hoje (27) que companhias que demitem seus funcionários apesar de apresentarem lucros significantes não receberão mais empréstimos públicos.
Jospin ficou enfurecido com a recente decisão da fabricante de pneus francesa Michelin, que anunciou um corte de 7.500 trabalhadores nos próximos três anos - uma redução de 10% de seu quadro de funcionários. Há poucos dias, entretanto, a companhia havia anunciado um aumento de 17% em seu lucro na primeira metade do ano.
"É inaceitável anunciar lucros significantes e ao mesmo tempo pedir dinheiro público para financiar parte de sua reestruturação, incluindo cortes consideráveis de mão-de-obra", disse Jospin durante um discurso feito para membros do Partido Socialista francês, em Estrasburgo.
Durante as últimas duas décadas, a Michelin recebeu bilhões de francos franceses em ajuda do Estado para reestruturar sua mão-de-obra.
Na momento em que a Michelin anunciou o corte de pessoal, Jospin disse estar chocado e urgiu os trabalhadores da companhia para que protestassem.
Na passado, a diretoria da Michelin fez fortes críticas ao governo socialista de Jospin, principalmente com relação ao projeto da semana de 35 horas.
Em um discurso visto como uma reafirmação de suas credenciais de esquerda, Jospin indicou também um aumento de impostos para empresas que demitam trabalhadores.
Além disso, o primeiro-ministro francês também disse que seu governo apresentará uma "pesada lei" para penalizar companhias que se utilizam excessivamente de empregados de meio período.

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