Paris, 6 (AE) - A França está "empacada" como um "asno" no caso da "vaca louca" inglesa (essas vacas afetadas pelo ESB, ou encefalite esponjosa bovina). Na realidade, Paris se recusa a suspender o embargo contra as vacas inglesas, desobedecendo desta forma as decisões adotadas pela União Européia, que considera a doença como erradicada na Inglaterra.
A França está isolada de todos os outros europeus em sua cruzada contra as vacas inglesas. Até mesmo a Alemanha, inicialmente reticente, acabou se unindo aos outros para evitar uma crise com Londres e Bruxelas ao mesmo tempo.
Mas a França não cede. As vacas inglesas estão infectadas, dizem os especialistas. Portanto, essas vacas não virão para a França.
A Grã-Bretanha prepara suas refutações. Na rua, os cidadãos britânicos, que detestam os franceses desde o tempo de Napoleão, estão furiosos. E em Bruxelas, as autoridades da União Européia não manifestam brandura em relação a Paris.
Esta guerra da "vaca louca" manifesta com clareza as dificuldades da cooperação entre as 15 nações européias. A nível de princípios, os Quinze estão de acordo. Com o coração mais ou menos entusiasta, todos aceitam a União Européia. Mas, quando se desce das alturas exaltantes da teoria, quando se abordam questões concretas, práticas, então, alguns países retomam seus antigos reflexos e colocam seus próprios interesses à frente do interesse geral europeu.
E aí ainda se trata de uma questão puramente técnica, veterinária, que encontrará sua solução depois de alguns resmungos.
Mas podemos imaginar ocorrências mais pesadas, mais graves. Um exemplo: nas eleições austríacas, o candidato de extrema- direita, Joerg Haider, admirador de Hitler, conseguiu uma enorme votação, derrotando a direita clássica. Se o partido de Haider não pode dirigir de imediato a áustria, é pelo menos suficientemente poderoso para impor às outras formações políticas de direita programas xenófobos, inclusive a limitação drástica da imigração na áustria.
Ora, esta caçada aos estrangeiros (sobretudo os que vêm da áfrica ou do Oriente Médio e cuja pele é escura) contraria a ideologia da União Européia.
Ontem mesmo, os três grandes da Europa - França, Alemanha e Inglaterra - publicaram um texto generoso sobre os estrangeiros, convidando a Europa a rejeitar o slogan feroz, desastroso e inaplicável: "Imigração Zero".
O que acontecerá se Haider assumir a direção da áustria? Bruxelas será então obrigada ou a investigar os frenesis xenófobos e anti-emigrantes de Haider ou a desligar a áustria da União Européia?
Estes dois exemplos - a recusa da França, que não aceita a vaca inglesa, e a presença, no coração da Europa, de um país assombrado pelas lembranças pestilentas do nazismo - mostram que a comunidade européia está ameaçada de perder o rumo e sair dos trilhos. Isso não quer dizer que a Europa não seja viável . Absolutamente. Isso significa apenas que é mais fácil colocar-se de acordo a respeito dos grandes princípios globais, do que do sobre os detalhes concretos, cotidianos ou domésticos.

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