Brasília, 12 (AE) - A presença de organismos geneticamente modificados detectada após análise de laboratórios franceses em carregamento de farelo de soja importado do Brasil preocupou o Ministério da Agricultura, que agora está solicitando à embaixada da França, via Ministério das Relações Exteriores, informações mais detalhadas sobre o fato. O diretor da área de mercado consumidor da importadora francesa Soules, com sede em Paris, Michel Teters, confirmou a presença de soja transgênica no farelo importado.
Como o plantio comercial da soja transgênica ainda não foi autorizado pelo Ministério da Agricultura, o secretário de Defesa Agropecuária, Ònio Marques, solicitou cópia dos documentos apresentados às autoridades francesas para verificar, junto ao exportador, a origem dos grãos utilizados para a elaboração do farelo. Apesar do parecer conclusivo favorável da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) para o plantio comercial da soja transgênica, a multinacional Monsanto ainda não apresentou os testes de valor de cultivo e uso (VCU) para o registro da variedade no Serviço Nacional de Proteção de Cultivares (SNPC) e, portanto, as sementes geneticamente modificadas ainda não podem ser comercializadas no Brasil.
Segundo técnicos do Ministério, desde o ano passado chegam denúncias de plantio clandestino de soja transgênica em algumas regiões do País, mas sem dados mais consistentes que possam levar ao transgressor. A expectativa do ministério é que, a partir dos documentos que deverão ser enviados pelo França se consiga chegar a quem exportou, quem plantou e quem vendeu as sementes.
O gerente técnico de biotecnologia da Monsanto, Geraldo Berger, disse que a empresa mantém seus planos de comercializar as primeiras sementes de soja transgênica resistente a herbicida para o plantio da próxima safra, em novembro.
Segundo ele, nos próximos 60 dias a empresa vai entrar com os pedidos de proteção da nova variedade e de registro para que o Ministério da Agricultura autorize o plantio comercial. Recentemente a empresa suspendeu o pedido de proteção da soja transgênica e o fato foi interpretado como um recuo na proposta de comercializar a nova variedade, mas o gerente informou que houve apenas um problema de interpretação. "A empresa preferiu entrar com os dados completos com todas as informações sobre a nova cultivar", afirmou.

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