São Paulo, 11 (AE) - Quinta colocada no ranking de estoques de investimentos estrangeiros diretos no País, a França fica atrás dos Estados Unidos, Espanha, Alemanha e Japão. Até o final de 1998, o patrimônio de empresas francesas no Brasil somava US$ 8,650 bilhões, quase empatando com os investimentos das subsidiárias japonesas, segundo dados da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet).
Nos últimos quatro anos, o número de empresas francesas, instaladas no Brasil, mais do que dobrou, passando de 300 subsidiárias em 1996 para cerca de 600, atualmente. O Carrefour é o maior grupo francês no País. Em cada um desses anos, o fluxo de investimentos diretos da França foi de cerca de US$ 1 bilhão.
A previsão do governo francês é de que, nos próximos quatro ou cinco anos, o volume de investimentos fique estável, com US$ 1 bilhão a cada ano, mas, agora, viriam as empresas de médio e pequeno porte.
"Não dá para uma empresa ter uma estratégia global sem investir no Brasil", disse Hervé Ochsenbein, chefe do serviço comercial da Embaixada da França no Brasil. Em sua avaliação, os novos investimentos ficarão concentrados no varejo especializado e em serviços. Há também empresas francesas interessadas na concessão de serviços públicos, principalmente de água e esgoto.
Entre os países em desenvolvimento, o Brasil é o que tem o maior estoque de investimentos diretos da França. É assim também em relação ao Estados Unidos, que somam quase 30% dos investimentos. Ao contrário dos americanos, que têm grandes empresas no Brasil há muitos anos, como Ford, Johnson&Johnson e IBM, os franceses não tem tanta visibilidade. A Rhodia, do grupo Rhône-Poulenc, é uma das mais antigas empresas francesas no País e também uma das mais conhecidas.
A partir da estabilização da economia, com a criação do real, e da abertura ao capital externo, nomes de peso da indústria francesa vieram para o Brasil. Em dezembro, a Renault abriu uma fábrica no Paraná, num investimento que ultrapassa US$ 1 bilhão. Sua concorrente, a Peugeot, investirá valor semelhante em uma fábrica, no Rio de Janeiro, que deve ser inaugurada em meados do ano que vem. No rastro das montadoras, vieram os fornecedores que se instalaram nas imediações.
"A desvalorização do real não mudou o interesse em relação ao Brasil", explicou Ochsenbein. As empresas que já tinham projetos em andamento ou planos em discussão não voltaram atrás. O diplomata reconheceu, porém, que empresas que vinham em "missões exploratórias" adiaram a viagem, até ter uma perspectiva melhor da economia.
A chegada do grupo Casino, que assinou ontem (10) contrato de compra de uma participação no Pão de Açúcar, engrossa o interesse das empresas de varejo pelo País. O desempenho do Carrefour é, certamente, um indicativo mais do que positivo. Em 98, o faturamento da empresa cresceu 6,2%, graças ao desempenho na ásia e América Latina, que registraram uma alta de 8,4% no faturamento, contra 5,2% na França e apenas 2,9% no resto da Europa.
Em 1998, os dois maiores concorrentes franceses no setor de lojas de material de construção, a Castorama e a Leroy Merlin
abriram suas primeiras lojas no Brasil. Até 2002, a Leroy Merlin, que tem 131 unidades instaladas na França, Espanha, Bélgica, Polônia e Itália, promete investir US$ 200 milhões, para ter oito lojas no País. O sócio brasileiro, Salo Seibel, que tem 40% do negócio, disse que "não é por acaso" que os franceses são líderes, em vários países, em redes de distribuição e de serviços. "Eles desenvolveram um know-how muito apurado", disse Seibel. Outro que está apostando no País é o grupo Pinault-Printemps-Redoute (PPR). Líder do varejo europeu, planeja investir cerca de R$ 125 milhões, nos próximos três anos
para abrir até 40 lojas no Brasil. Metade das lojas será especializada em eletroletrônicos (Conforama) e a outra metade, em livros e discos (Fnac). No início de junho, abriu a primeira loja da Fnac, em São Paulo, e participa das negociações para alugar algumas das lojas Mappin/Mesbla.

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