Paris, 27 (AE) - Um importante e inédito acordo de cooperação cultural chamado Os Caminhos do Barroco entre a França e o Brasil foi assinado hoje (27) na embaixada brasileira de Paris dispondo sobre uma contribuição para a recuperação do patrimônio da música colonial. Esse acordo visa a recuperar a importância da nossa música barroca, mas também levá-la à alta tecnologia, via Internet, pois ela deverá abrigar parte desse patrimônio, por exemplo, seu acervo musical.
Quando se fala em recuperar esse patrimônio, o objetivo não é apenas a recuperação de partituras musicais, mas também descobrir novas partituras da musica colonial atualmente espalhadas pelo Brasil, mas ainda inteiramente desconhecidas. Isso só está sendo possível graças ao projeto que conta com o apoio dos Ministérios das Relações Exteriores do Brasil e da França, do qual participam diretamente a Associação Francesa de Ação Artística e o Itaú Cultural. A França está também representada pelo Centro Internacional dos Caminhos do Barroco, instalado em Sarrebourg.
Esse acordo, que vinha sendo negociado há dois anos e foi assinado na presença do embaixador do Brasil na França, Marcos Azambuja, e do prefeito de Sarrebourg, Alain Marty, também presidente do Centro Internacional dos Caminhos do Barroco, prevê uma série de iniciativas que serão financiadas pelas representações dos dois países, no valor de 4 milhões de francos. Além de recuperar partituras importantes da música colonial brasileira, transcrevê-las e apresentá-las no Brasil e na França, o acordo prevê a preparação de um livro sobre o assunto, edição de CDs, etc. O projeto, segundo Arnaldo Spindel, superintendente do Itaú Cultural, se estenderá até o fim de 2001
envolvendo também músicos, historiadores, pesquisadores e intérpretes.
Diversos seminários serão organizados em São Paulo, Rio e Minas, mas também na França, em Sarrebourg e Paris. Ontem à noite, no Petit Palais, em Paris, no contexto da exposição Brasil Barroco, que vai até o dia 6, houve o concerto do conjunto Turicum, dirigido pelo contratenor brasileiro Luís Alves da Silva e por Mathias Weibel, marcando o fim do ciclo musical brasileiro organizado pela prefeitura de Paris. Para Spindel, o barroco brasileiro havia sido esquecido, mas está sendo redescoberto.
Entre as iniciativas previstas pelo acordo e de responsabilidade brasileira, cita-se a transcrição e interpretação de duas obras maiores do compositor mineiro José Maurício Nunes Garcia - as cantatas Ulisseo e Triunfo da América -, cujas partituras foram descobertas recentemente em Lisboa. Ainda entre as manifestações podem ser citados os workshops de interpretação de música barroca vocal e as oficinas de música de conjunto. Um grande simpósio mundial está previsto entre 8 e 12 de junho, em Sarrebourg.
Concertos em São Paulo, Minas e Rio com conjuntos franceses também são previstos pelo acordo, além da distribuição de 8 mil CDs de quatro títulos de música colonial brasileira. Um livro será editado em co-produção entre o Itaú Cultural e as edições Fayard da França, além de uma editora brasileira ainda não definida. Em 2001, esse livro dedicado à musica colonial brasileira será distribuído simultaneamente nos dois países. A edição será coordenada por Alain Paquet, diretor artístico do Centro Internacional dos Caminhos do Barroco. O conteúdo dessa obra será também veiculado no site do Itaú Cultural.
Quanto às atribuições francesas, convites deverão ser formulados a pesquisadores brasileiros para participarem do Colóquio Mundial dos Patrimônios dos Barrocos Extra-Europeus, cujo tema central será o Brasil.

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