Viena, 10 (AE-AP) - No primeiro boicote internacional efetivo ao novo governo de de centro direita da áustria, os representantes da França, Bélgica e Andorra não compareceram hoje (10) ao plenário da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), na capital austríaca, onde a ministra das Relações Exteriores austríaca, Benita Ferrero-Waldner, discursou. A áustria exerce a presidência rotativa da OSCE, que reúne 54 países do continente.
"É uma questão de coerência", justificou um diplomata francês, aludindo ao isolamento político da áustria imposto pela União Européia (UE). A França está entre os mais ferrenhos opositores ao novo governo austríaco, sustentado no Parlamento pelo Partido da Liberdade (FPO), chefiado pelo líder ultradireitista xenófobo Joerg Haider.
Os governos da Bélgica e de Andorra justificaram a ausência com os mesmos argumentos da França.
Pouco antes da decisão desses países, Haider voltava à carga contra o presidente francês, Jacques Chirac, classificando-o de "grande inimigo da áustria". Na semana passada, ele chamara as autoridades belgas de "corruptas e pedófilas".
Em entrevista à revista francesa Le Nouvel Observateur, Haider, que em sua rápida trajetória política fez do combate à imigração tema de campanha, atacou o comportamento de políticos franceses sobre o assunto. "Existem dirigentes franceses que tratam de forma horrível o problema da imigração", lembrando antigas declarações atribuídas a Chirac, de que não suportava "o ruído e o cheiro" dos imigrantes.
O presidente francês tem defendido com energia o isolamento político da áustria, afirmando que a Carta da UE (da qual Viena é signatária) "exclui ideologias como as propagadas pelo FPO, de Haider".
A nova ministra das Relações Exteriores austríaca, Benita Ferrero- Waldner, procurou não dar importância às ausências dos três países no plenário da OSCE, que debateu a situação de Kosovo e o conflito da Chechênia. "Não acredito que esse comportamento vá reduzir a credibilidade da instituição."
Em entrevista ao jornal espanhol El País, a ministra austríaca qualificou a reação da UE contra a coalizão austríaca de "precipitada e desproporcional". Lembrou que a áustria é um país democrático e respeitador dos direitos humanos, cujos eleitores escolheram livremente seus governantes. "O castigo imposto à áustria contraria os valores europeus e abre um gravíssimo precedente para o futuro."

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