Paris, 23 (AE) - O governo da França deve pedir amanhã (24) às demais nações européias a "suspensão da venda" de novas variedades de produtos transgênicos. O anúncio foi feito hoje pela ministra do Meio Ambiente, Dominique Voynet.
No entanto, sua política interna e o processo de autorização para cultivo de alguns tipos de trangênicos, aprovados pelo governo francês desde novembro de 1997, não será interrompido.
Voynet falou hoje com a imprensa após uma reunião de ministros destinada a fixar a posição da França sobre trangênicos que deverá ser apresentada ao conselho dos ministros europeus do Meio Ambiente entre amanhã e depois, em Luxemburgo.
Voynet esclareceu que essa suspensão de venda poderia ser aplicada até que se esclareça a posição da Comissão Européia sobre a rotulagem dos produtos.
Depois do encontro entre o primeiro-ministro Lionel Jospin e os ministros da Saúde, Ambiente, Agricultura e Assuntos do Consumidor franceses, o governo informou que pediria à UE a adoção de um sistema de rotulagem para identificar alimentos produzidos com a utilização de transgênicos, atendendo a protestos dos consumidores.
A decisão das autoridades francesas significa que alguns tipos de milho trangênico poderão continuar sendo cultivados.
A UE está tentando alterar a legislação para liberar novos produtos trangênicos em meio à crescente preocupação dos consumidores em relação à segurança dos alimentos derivados das sementes alteradas geneticamente. EXPORTAÇÃO - Hoje, em Porto Alegre, o gerente do grupo britânico Tesco, após encontro do secretário da Agricultura do Estado, José Hermeto Hoffmann, informou que os europeus estão dispostos a adquirir soja não-transgênica exclusivamente do Rio Grande do Sul, caso o Estado mantenha-se livre de plantas geneticamente modificadas, conforme prevê uma lei de autoria do governo que tramita no Legislativo.
O grupo é o maior varejista da Europa, com faturamento anual de US$ 30 bilhões, 25% do mercado do Reino Unido e 10 milhões de clientes por semana em suas 650 lojas em 10 países. As compras, entretanto, estarão condicionadas às garantias de que os produtores e o governo gaúcho poderão oferecer quanto à qualidade e não contaminação da soja por grãos transgênicos, informou o gerente de desenvolvimento estratégico do grupo, Martin Cooke, que se reuniu com o secretário e representantes da Federação das Cooperativas Agropecuárias do RS (Fecoagro).
De acordo com Cooke, o Reino Unido compra no exterior 2 milhões de toneladas de soja por ano para produção de ração animal, sendo 50% no Brasil e o restante na América do Norte. O volume importado do Brasil poderá aumentar caso mantenha a proibição do plantio de soja transgênica. Do contrário, a tendência é o país procurar outros fornecedores mundiais, como Canadá, áfrica do Sul ou Índia.

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