França desiste de colocar obstáculos à união com o Mercosul Do correspondente Reali Júnior
paris, 18 (AE) - A França não mais pretende colocar obstáculos à aprovação de um mandato negociador para que a Comissão Européia inicie já no ano 2000 as negociações para a criação de uma zona de livre comércio entre entre o Mercosul e a União Européia. Os franceses não escondem sua insatisfação com as críticas na América Latina, principalmente dos países do Mercosul, imputando ao governo francês as dificuldades atuais para o anúncio do lançamento dessas negociações previstas para a reunião entre os chefes de Estado dos dois blocos, no fim do mês
no Rio de Janeiro.
Dessa forma, a França aceita não excluir a área agrícola das negociações, apoiando a posição brasileira: "Negociar tudo e desde já." Em outras palavras, "tudo deve ser aceito senão nada será aceito".
Fontes diplomáticas no Quai DOrsay mostraram-se surpresas com as críticas, lembrando que a América Latina constitui uma opção estratégica da França. Basta verificar o nível dos investimentos recentes nos diversos países do continente para constatar esse interesse em desenvolver uma ampla cooperação econômica.
A solução para o problema do mandato está próxima e deverá ser encontrada na segunda-feira, quando da reunião, em Luxemburgo, dos 15 ministros do Exterior da UE, segundo informou fonte diplomática. Dessa forma, no dia 21, será testada a chamada "solidariedade comunitária", numa reunião considerada como a da "última chance".
Nessa semana, os 15 quase chegaram a um acordo, mas isso não foi possível porque a Espanha, o país europeu que adotou a causa do Mercosul, quis ir além do projeto alemão que serve de base de negociação ao mandato, numa tentativa de acelerar o processo, o que os demais não concordaram.





