Paris, 5 (AE-AP) - A França acaba de realizar uma façanha na batalha do "nanômetro", na qual americanos e japoneses se defrontam. Uma batalha de gigantes, muito embora o que está em jogo é a exploração de um universo minúsculo, um universo no qual os objetos são tão pequenos que se tornam invisíveis.
Como representar este mundo de coisas minúsculas, no qual se lançam com ardor as ciências e as tecnologias de ponta? É difícil dar uma idéia sobre isso. Nós nos chocamos com a mesma dificuldade que o espírito humano enfrenta quando quer representar o infinitamente grande, por exemplo, os espaços do cosmos. O que significa , para um ser humano, saber que uma estrela tem a magnitude de 800 sóis e que ela navega a alguns bilhões de anos-luz de nossa galáxia? O mesmo limite surge diante da mente humana quando ela se volta atualmente para o país do infinitamente pequeno. Basta um exemplo: o "nanômetro", a unidade de medição dos pesquisadores das coisas mínimas, é uma medida que corresponde à espessura de um cabelo dividido por 50.000.
A busca do minúsculo não é inteiramente nova: os computadores atuais já utilizam transistores impressionantes: o Pentium-III tem transistores de 180 nanômetros. Na pesquisa experimental, foram fabricados transistores ainda mais reduzidos. O recorde pertence à Toshiba desde 1993, com 40 nanômetros e os grandes laboratórios acreditam que se poderia ultrapassar o limite dos 30 nanônetros para os transistores operacionais.
É aqui que entra o golpe espetacular dos pesquisadores franceses do CEA de Grenoble. Eles fabricaram um transistor de 20 nanômetros (20 milionésimos de milímetro) que agora está em primeiro lugar nessa corrida.
Se esta proeza puder ter aplicações de tipo industrial, se chegará, em teoria, a multiplicar por 1.600 as capacidade de uma pulga. Uma pulga desse tipo permitiria então concentrar toda a unidade central de um computador pessoal no volume de um telefone portátil. Todo o campo dos computadores é regido pelas nanociências. Daqui a dez anos, estas maravilhas, que são nossos atuais computadores (tão ligeiros, tão eficientes, tão práticos em relação aos de 1960), serão comparáveis a mamutes prehistóricos. Mas as aplicações deveriam estar relacionadas também com a biologia e a saúde pública.
Amanhã será possível construir microlaboratórios de biologia com um volume de alguns milímetros cúbicos, e isso permitirá, por exemplo, vigiar o parâmetro crítico do sangue de um doente, que poderia continuar se dedicando ás suas atividades normais. Esse laboratório poderia emitir eventualmente um sinal de alerta, ou ordenar a distribuição de um medicamento com a ajuda de uma micro-seringa.
Alguns pesquisadores vão ainda mais longe: como na ficção científica, eles quereriam que os "robôs-anões", movidos por motores microscópicos, possam circular pelo corpo humano, nas artérias, para cuidar da arterioesclerose, destruindo, com a ajuda de hélices, as placas que retardam a circulação do sangue.
É inútil dizer que o sucesso da equipe de Grenoble está ainda em estágio experimental. Será preciso conceber ainda um processo industrial para que o transistor de 20 nanômetros possa encontrar aplicações. O caminho será longo, mas ninguem duvida que será percorrido.
Ninguém mais duvida - nem nos Estados Unidos, nem no Japão, nem na França - que dentro de alguns anos, as nanotecnologias irão revolucionar nossas fábricas, nossas empresas, nossas medicinas e, para dizer tudo, nossa visão do mundo.

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