Paris, 04 (AE) - Um dos piores criminosos de guerra sérvios, Momcilo Krajisnik, que foi o "braço direito" do terrível Radovan Karadzic e massacrou grande número de muçulmanos em 1991-92, acaba de ser preso e mandado para o Tribunal Penal Internacional de Haia para a ex-Iugoslávia.
A notícia foi recebida com agrado por toda a comunidade ocidental por dois motivos: primeiro, porque se aperta inexoravelmente o cerco em torno dos criminosos sérvios da guerra da Bósnia, a tal ponto que a senhora Carla Del Ponte, procuradora geral do Tribunal Penal Internacional, pode manifestar a esperança de ver em breve dois outros grandes assassinos sérvios - o general Mladic, localizado recentemente num estádio de futebol em Belgrado e sobretudo o ex-chefe dos sérvios da Bósnia, Radovan Karadzic, que aparentemente se movimenta entre Belgrado e a Bósnia sérvia.
A captura de Krajisnik tem outro sentido: foi realizada pelos soldados franceses da OTAN na Bósnia. Até agora, a França era objeto de graves suspeitas por parte dos norte-americanos e dos juízes de Haia. A França era acusada de manter, por razões de velha conivência histórica, certa indulgência em relação aos sérvios e de nada fazer para ajudar o Tribuanl de Haia.
Esta desconfiança em relação à França é antiga: François Mitterrand já era considerado amigo dos sérvios. Mais tarde, os militares da OTAN se queixaram contra a atitude "pró-sérvia" de alguns franceses. O comandante francês, Bunel , foi processado por espionagem em favor dos sérvios. Outro oficial francês, Hervé Gourmelon, foi considerado suspeito de solidarizar-se com Karadzic.
Recentemente, as imprudências cometidas por alguns representantes franceses "lançaram mais lenha na fogueira": o atual ministro da Defesa, Alain Richaud, ridicularizou a "justiça-espetáculo" do Tribunal de Haia. Nos ministérios, um dos esportes preferidos era ver em toda a parte "um golpe dos americanos", ou ainda "uma má jogada dos anglo-saxões". Às vezes, a gente acreditava ter voltado ao tempo da grande rivalidade colonial entre Paris e Londres, ao tempo de Fachoda.
As coisas chegaram a um ponto constrangedor. Paris dava a impressão de ser "elo fraco" no esforço empreendido pelas nações aliadas para punir os dirigentes iugoslavos (e também ruandeses) réus de graves crimes. Os dirigentes franceses sentiram então a necessidade de retificar esta imagem calamitosa. O presidente da França, Jacques Chirac, foi a Haia no dia 29 de fevereiro e reuniu-se com Carla del Ponte, que lhe falou a respeito dos três grandes criminosos de guerra sérvios, escondidos na região de Pale (na Bósnia sérvia). Segundo Del Ponte, Chirac ouviu com muita atenção. Agora, soldados franceses da Força de Paz da ONU capturaram um destes três criminosos , Momcilo Krajisnik.

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