O satélite desativado Extreme Ultraviolet Explorer (Euve) fragmentou-se quinta-feira ao entrar em contato com a atmosfera, admitindo-se que alguns pedaços da sua estrutura metálica possam ter caído no Egito, segundo a Nasa.
As autoridades egípcias indicaram não poder confirmar ainda que algum fragmento do satélite tenha alcançado Terra, não sendo de excluir que a nave tenha ardido completamente.
O satélite científico, que deixou de funcionar em 2000, caía, na quarta-feira, a uma média de 24 quilômetros diários de uma órbita aproximada de 188,4 quilômetros.
Na quinta-feira, a órbita do satélite colocava-o sobre o golfo Pérsico.
Segundo o Comando norte-americano de controle do Espaço (Norad), no Colorado, o ponto exato em que a sonda entrou em contato com a atmosfera situa-se sobre o Egito.
Qualquer objeto espacial que entre sem proteção na atmosfera, uma nave ou um meteorito, sofre um desgaste pelo efeito do atrito, desintegrando-se muitas vezes em consequência das elevadíssimas temperaturas que se geram.
O vaivém espacial norte-americano, que realiza viagens frequentes ao espaço, tem uma proteção à base de placas cerâmicas que resistem aos milhares de graus de temperatura provocados pelo atrito.
A Nasa tinha alertado para a possibilidade de alguns fragmentos do Euve, construído em aço e titânio, poderem resistir à passagem pela atmosfera e alcançar Terra.
O satélite, lançado em 1992 para realizar estudos sobre o espectro de radiações ultravioletas, pesava mais de 3 toneladas.
Ronald Mahmot, responsável pelo programa de Ciências Espaciais no Centro Goddard de Vôos Espaciais da Nasa, em Maryland, sublinhou que o risco de um fragmento alcançar a Terra e causar danos nas pessoas era mínimo.
‘‘A localização exata da entrada esteve dentro do que tínhamos previsto’’, declarou Scott Hull, engenheiro da Nasa no centro Goddard, que controlou o satélite nos seus primeiros anos de atividade.
O Euve estava programado para funcionar durante três anos, mas a sua missão foi prolongada em duas ocasiões, o que fez com que o seu tempo de atividade superasse os oito.
Já antes da reentrada na atmosfera do satélite Euve, o laboratório norte-americano Skylab em 1975, o Observatório de Raios Gama Compton em 2000 e a estação russa MIR em 2001, atraíram a atenção internacional pelo mesmo motivo.
Contrariamente ao Compton ou à MIR, que puderam ser manobrados através de instruções dadas aos seus computadores centrais para que penetrassem na atmosfera sobre o Oceano Pacífico, minimizando os riscos, o satélite Euve não podia ser dirigido a partir de Terra.
Aliás, o satélite não tinha sido concebido para voltar à Terra, mas a perda de altitude que a nave foi sofrendo nos últimos dois anos devolveu-o à atmosfera.
A estação MIR, com 135 toneladas de peso, é o maior objeto construído pelo homem a ter reentrado na atmosfera, uma manobra realizada de forma bem sucedida que não provocou danos.

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