Londrina - Um adolescente de 15 anos foi atingido na perna por um tiro disparado pela Polícia Militar durante a madrugada de ontem quando ele e seu comparsa se preparavam para lançar aparelhos de telefonia celular, 1,6 quilo de maconha, carregadores, um alicate, três serras, uma chave de fenda, uma ponteira, três brocas, uma lima e 33 pacotes de fumo para dentro da unidade 2 da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL 2).
Segundo o Capitão Ricardo Eguedis, do setor de comunicação da PM, os policiais identificaram a ação durante ronda rotineira na Rodovia João Alves da Rocha Loures, ao lado do presídio. Ele informou que os dois suspeitos tiveram seus planos frustrados antes que o material fosse jogado por cima dos muros utilizando cordas que facilitariam a "pesca" dos objetos. "O local estava escuro e os PMs advertiram os suspeitos, mas durante a fuga acabaram disparando contra o jovem." O adolescente sofreu uma fratura e uma lesão nervo fibular e foi encaminhado para a Santa Casa. Ele deve receber alta hoje. Seu comparsa não foi identificado e continua foragido.
O diretor local do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen/PR), Edevaldo Ramos, afirmou que a situação dos agentes está mais grave do que as pessoas imaginam. "As obras do alambrado, que deveriam impedir que esses objetos fossem arremessados para dentro do pátio, não foram executadas. Os policiais militares fazem a ronda de hora em hora e toda vez flagram alguém no entorno. Mas a preocupação é quando eles não estão aqui, no intervalo entre essas rondas. Sabe se lá o que já deve ter passado por eles", expôs.
Segundo Ramos, somente no ano passado foram mais de 2 mil objetos arremessados por cima dos muros da PEL 2 e como os agentes penitenciários não possuem porte de arma e nem autorização para isso, ficam vulneráveis e sujeitos a rebeliões. "Recentemente tivemos um colega morto em Guarapuava. Os agentes da PEL 2 estão realizando protestos por causa disso e estamos estudando uma paralisação até que as condições de segurança sejam melhoradas."
O diretor interino da PEL 2, Edmir Cardoso da Silva, afirmou que a instituição está elaborando a licitação que viabilizará a instalação do alambrado, embora não saiba qual o valor necessário para a obra e nem quando ela será concluída
Silva explicou que a revista é feita diariamente nas celas. Ramos contrapôs e afirmou que essa revista é feita a cada três dias, quando os presos tomam banho de sol. " A revista é diária, mas é que até chegar na mesma cela novamente levamos 3 dias", justificou o diretor. "Os presos aproveitam esse intervalo e ficam passando os objetos de cela para cela, para não serem flagrados com eles", ponderou o sindicalista. Ele alertou que a maioria dos presos que não possui intenção de se regenerar está vinculada à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). "Existe outro grupo, que faz oposição, mas o número é bem menor.", disse Ramos.
Ele destacou que os presidiários comandam o crime de suas celas e se comunicam entre eles utilizando os celulares arremessados por cima dos muros. "E quando eles querem disseminar algo para outros presídios, forçam uma rebelião para que sejam transferidos para outras unidades", acusou.

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