Fraga volta em ritmo veloz
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terça-feira, 02 de fevereiro de 1999
Por Lu Aiko Otta 
Brasília, 02 (AE) - O novo presidente indicado para o Banco Central, Armínio Fraga, reestreou na Esplanada dos Ministérios em ritmo acelerado. Em seu primeiro dia como assessor especial do ministro da Fazenda, Pedro Malan - cargo que ocupará enquanto seu nome não for aprovado pelo Senado Federal -, Fraga passou boa parte da tarde reunido com Malan e com o vice-diretor gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Stanley Fischer, enquanto estava sendo discutida a adoção de regras de intervenção no mercado de câmbio, para evitar movimentos especulativos como o que ocorreu na última sexta-feira.
Armínio Fraga desembarcou por volta de 13 horas no Aeroporto de Brasília, onde o aguardava um carro oficial do Ministério da Fazenda. Para evitar o assédio da imprensa, ele saiu pela área de embarque. Mesmo assim, foi cercado por câmeras e repórteres. Porém, não quis falar sobre política cambial ou juros, nem revelou os nomes cogitados para ocupar a nova diretoria do Banco Central.
Do aeroporto, partiu para a sede do Banco Central, onde permaneceu apenas por alguns minutos, antes de rumar para o Ministério da Fazenda, onde o aguardava outro batalhão de fotógrafos e cinegrafistas. Participou, então, de reunião com Malan e Fischer. Por volta das 17 horas, ele voltou ao Banco Central, mas retornou à Fazenda logo em seguida, acompanhado pelo diretor de Assuntos Internacionais do BC, Demósthenes Pinho Neto.
A participação de Fraga nas reuniões com Stanley Fischer já havia sido confirmada, pela manhã, pelo ministro Pedro Malan. Questionado sobre o assunto, o ministro lembrou que, desde hoje, Fraga havia sido nomeado assessor especial e, nessa condição, estaria "totalmente integrado à equipe econômica." Sua volta à equipe econômica já estava acertada, mas somente para o segundo semestre do ano. Fraga queria vir a Brasília com sua mulher e filhos, e o ano letivo nos Estados Unidos termina só em junho. O agravamento da crise, porém, precipitou sua vinda para substituir Francisco Lopes na presidência do BC.
O dia no Ministério da Fazenda foi marcado por uma reunião quase permanente no sexto andar, entre os técnicos do governo brasileiro e os do FMI. Malan, Fischer e Fraga participaram de pedaços das conversas. Além das regras de intervenção no câmbio, foram discutidas também a política de juros e os novos parâmetros para a revisão do acordo.


