Fraga volta antes dos EUA para acompanhar mercado de perto
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domingo, 16 de abril de 2000
Por Soraya de Alencar e Isabel Braga 
Brasília, 17 (AE) - Para acompanhar os reflexos da crise das bolsas internacionais no mercado brasileiro, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, voltou antecipadamente dos Estados Unidos, onde participava da reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (Bird). Ele chegou no último domingo ao Brasil. Hoje Fraga trabalhou no Rio e de lá ligou para o presidente Fernando Henrique Cardoso.
Segundo o porta-voz da Presidência da República, George Lamazire, Fraga teria dito ao presidente que a resposta do Brasil às turbulências das bolsas internacionais mostra o equilíbrio do mercado brasileiro. Lamazire disse ainda que o presidente está acompanhando com tranquilidade a oscilação das bolsas internacionais porque, além do País não estar dependente de capital de curto prazo, os dados da economia, como a situação fiscal, estão "sólidos".
Segundo um assessor, Fraga considera que ninguém ainda pode dizer qual será o desenrolar da crise das bolsas. Mas ele tem repetido que o Brasil está menos vulnerável às turbulências do mercado internacional.
A oscilação do momento afeta, principalmente, as ações de empresas de alta tecnologia. No domingo, em Washington, o presidente do BC tinha compromissos marcados com Alan Greenspan, presidente do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, e com Lawrence Summers, secretário do Tesouro americano. Fraga foi impedido de comparecer aos encontros por causa das manifestações populares em protesto à reunião.
Depois dos compromissos frustrados, Fraga voltou ao Brasil por achar que que seria mais produtivo estar aqui após perder os encontros que considerava os mais importantes neste momento de turbulência. Ele achou que, em vez de ficar em Washington tentando participar de outros encontros, como o que tinha agendado com o Banco Mundial, era melhor voltar para o Brasil e acompanhar o mercado nacional.
Hoje o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, disse que, "aparentemente", a crise internacional não deverá ter impactos fortes no Brasil. Segundo ele, somente havendo um aprofundamento desta crise o País seria afetado. Ele não acredita que possa haver um refluxo dos investimentos diretos dirigidos a diferentes setores da economia.
Lopes também descartou a possibilidade de uma fuga de capital lembrando que o Brasil não tem muito capital externo de curto prazo. Ele explicou que seria difícil um investidor que destinou o seu dinheiro à compra de uma planta de fábrica ou em um supermercado, como é o caso do investidor direto, deixar repentinamente o País. "Ele teria custos altíssimos", afirmou Lopes. IBEP INSTITUTO BRASILEIRO DE ESTUDOS POLíTICOS 1


