Rio, 28 (AE) - O presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, afirmou hoje, em almoço com correspondentes estrangeiros, que o Brasil já estaria no fim do ciclo recessivo. "Se é que já não acabou", disse Fraga, para quem a recuperação vai começar a partir do segundo semestre, se a queda da inflação permitir que os juros continuem a cair. A recuperação econômica, afirmou, vai acontecer com o aumento das exportações, dos investimentos e do consumo de bens duráveis.
Segundo o presidente do BC, já é possível esperar que o Produto Interno Bruto (PIB) caia apenas 1% ou simplesmente fique estável. Para Fraga, a queda de 4%, acertada no acordo do governo brasileiro com o Fundo Monetário Internacional (FMI), não deve mais acontecer, depois da recuperação da economia brasileira, que aconteceu mais rápido do que o previsto por analistas. Para o ano que vem, ele previu alta de 4% do PIB.
A taxa de inflação também não deve atingir a alta prevista pelo governo e o FMI. Fraga não quis arriscar nenhum índice. Mas lembrou que, em vez dos 17% que eram previstos, o mercado financeiro já trabalha com inflação anual este ano de 12% a 13%, segundo o Índice Geral de Preços (IGP), medido pela Fundação Getúlio Vargas, e de 8% a 9%, segundo os índices que medem o custo de vida para o consumidor.
O presidente do BC afirmou que o resultado da balança comercial, neste ano, deve ficar "em torno de US$ 5 bilhões ou menos". Fraga informou que o Banco Central está preparado para usar todos os instrumentos fiscais e monetários possíveis para reagir a uma possível alta da taxa de juros dos Estados Unidos.
Atuação - Fraga contou que, neste mês, o BC atuou "muito pouco" no mercado de câmbio. "O BC atuou duas vezes na compra", citou, sem dizer quantas vezes a institiuição vendeu dólares para o mercado. De acordo com ele, o objetivo é de que, no futuro, as intervenções sejam menos frequentes ainda.
Ele acrescentou que as medidas que o Conselho Monetário Nacional (CMN) tomou ontem (27), em relação a investimentos no mercado de câmbio, não vão reduzir o nível de dinheiro no mercado. Segundo ele, foram medidas de caráter "prudencial", que não trarão grande impacto das instituições financeiras, porque estas já vinham atuando de forma bastante conservadora.
FMI - Fraga informou que o governo ainda não decidiu se usará a terceira parcela do empréstimo de socorro que acertou com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Ele lembrou que, até agora, o governo usou pouco mais de US$ 3 bilhões, quantia que está abaixo do limite programado para até este mês. "Se o Brasil não sacar, será uma decisão positiva", afirmou. Fraga confirmou que, nas próximas semanas, uma delegação do FMI estará no Brasil e reverá as metas do acordo para o segundo semestre.
Ao comentar o regime de metas de inflação, o presidente do BC afirmou que o novo sistema, a ser utilizado a partir de junho, vai dar mais tranquilidade às expectativas do mercado e da sociedade. Além disso, acrescentou, o sistema vai ajudar a evitar a "tentação intertemporal" dos governos de provocar aumento da inflação para incentivar o desenvolvimento econômico.
Embora seja favorável à quarentena para ex-funcionários do governo que exerçam funções especiais, Fraga advertiu que, na prática, a medida pode ser ineficaz contra o uso de informações sigilosas por servidores que tenham deixado o governo. "Quem for mau-caráter vai continuar a ser mau-caráter, com ou sem quarentena", avaliou.
O prazo de um ano para que o ex-funcionário fique sem trabalhar é muito longo, acrescentou.

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