Fraga será sabatinado pelo Senado na sexta-feira
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terça-feira, 23 de fevereiro de 1999
Por Rosa Costa 
Brasília, 24 (AE) - O presidente indicado do Banco Central, Armínio Fraga, será sabatinado sexta-feira, a partir das 9 horas, pelos integrantes da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE), 22 dias depois de ter sido escolhido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Serão sabatinados, na mesma sessão, cinco novos diretores da instituição. A aprovação dos nomes é dada como certa, tanto na CAE como no plenário, na segunda ou na terça-feira, graças à folgada maioria da base governista. Mas os senadores da oposição e até aliados, como Pedro Simon (PMDB-RS), se preparam para submeter Fraga a uma série de perguntas delicadas, sobre o período em que ele trabalhou para o megainvestidor George Soros.
O fato cria a perspectiva de que será uma sexta-feira tensa para o País, até porque coincidirá com a reunião do presidente Fernando Henrique Cardoso com os governadores. Para impedir que as arguições se estendam por todo o dia, o presidente da CAE, senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), fará um apelo a seus colegas para que não se excedam no tempo das perguntas. Bezerra também vai propor que na lista de sabatinadores haja alternância entre os partidos, na intenção de evitar que apenas os parlamentares de uma única legenda se ocupem da tarefa.
Até às 16 horas de hoje, 25 senadores já haviam se inscrito para sabatinar Fraga, entre eles 7 do bloco de oposição. O relator desses processos de indicação será o senador Ney Suassuna (PMDB-PB). A CAE é formada por 27 titulares e 27 suplentes, esses últimos podem fazer perguntas mas não têm direito ao voto. A arguição de Fraga é a primeira missão de Fernando Bezerra na presidência da comissão. O senador e o presidente do Banco Central foram apresentados um ao outro na noite de terça-feira, quando se encontraram casualmente num restaurante. "Foi tudo muito rápido, nem falamos sobre a sabatina", disse Bezerra. A votação será secreta, ao final da arguição pública.
Integrantes da equipe econômica tentaram antecipar as sabatinas em um dia, o que permitiria ao plenário homologar os nomes ainda esta semana. Mas não conseguiram concretizar a idéia por causa do Regimento do Senado. O inciso b do artigo 383 estipula que a CAE só poderá marcar a sabatina pelo menos três dias depois de ter sido lida em plenário a mensagem presidencial designando a autoridade. Como isso ocorreu na terça-feira, qualquer data anterior implicaria no desrespeito às normas de funcionamento da Casa. A base governistas demonstrou hoje na Comissão de Assuntos Econômicos que não dará espaço para as iniciativas da oposição. Os senadores rejeitaram, em votação simbólica, dois requerimentos de Eduardo Suplicy (PT-SP). Em um deles, Suplicy pedia o comparecimento do ex-presidente do Banco Central, Francisco Lopes, para explicar os motivos de sua saída do cargo. No outro, ele desejava ouvir o ministro da Fazenda, Pedro Malan, sobre os novos termos do acordo com o Fundo Monetário Nacional (FMI) e a razão da troca de presidentes do Banco Central. O senador disse que agora espera que Malan compareça espontaneamente à comissão, na sexta-feira, acompanhando Armínio Fraga.


