Fraga prevê inflação de um dígito no final do ano
São Paulo, 9 (AE) - O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, disse há pouco, em entrevista ao programa Bom Dia Brasil, da TV Globo, que tem confiança que os dois principais problemas na economia do País foram atacados em suas raízes: situação fiscal insustentável, com o governo gastando mais do que arrecadava, e o problema do balanço de pagamentos. "A credibilidade é o que a gente perde rápido e recupera devagar. Nossa idéia é persistir nesse caminho e acho que com o tempo as coisas vão começar a aparecer e a economia volta a crescer nos trilhos que é o que nós queremos", disse.
O presidente do Banco Central, Armínio Fraga evitou comentar o discurso de ontem do ex-presidente da instituição, Gustavo Franco, que criticou a desvalorização do Real. Fraga disse que ainda ontem, na cerimônia de transmissão do cargo, elogiou a coragem de Franco ao abrir e discutir problemas. "Não cabe a mim discutir problemas. Não cabe a mim interpretar a história, acabei de chegar. Acho que a situação que está aí é administrável", afirmou Armínio Fraga, para quem Gustavo Franco merece respeito pelo que fez até hoje. "Agora acho que a situação hoje, por sua vez, tem elementos necessários para me dar otimismo", acrescentou. Quanto a declaração de Franco de que a moeda foi abandonada, Armínio Fraga limitou-se a afirmar que "quem vai interpretar são os historiadores; eu estou preocupado com o futuro".
O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, disse ainda em entrevista nesta manhã, no programa Bom Dia Brasil, da TV Globo, que a política do governo agora é zelar para que a elevação de preços, em função da desvalorização cambial, não se transforme em inflação. "Esse é o desafio, e isso é algo que vai depender do nosso caminho nos próximos três, quatro meses, que são os meses de maior pressão, decorrente da mudança no câmbio", afirmou.
Armínio Fraga garantiu que está otimista com a futura queda da inflação. "Hoje vejo nas políticas que nós temos um conjunto consistente que vai produzir uma queda na inflação já nos próximos meses e certamente vai trazê-la à taxa de um dígito ao mês", garantiu. "Não vejo uma tarefa impossível. É um desafio que temos que perseguir no dia a dia, e o meu otimismo vem de conhecer por dentro o que está sendo feito", ressaltou. "Eu entendo que a sociedade queira ver para crer, mas o que podemos fazer é persistir no caminho".
O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, disse que a estratégia do governo para atrair investimentos é mostrar aos investidores que os problemas foram atacados em suas raízes e que, portanto, investir no Brasil é um bom negócio. Fraga disse que investiria no Brasil, mesmo sabendo da situação do país, com um quadro de recessão. Segundo ele, o quadro de pessimismo no Brasil está concentrado nos dois primeiros meses do ano. "Os investidores vão examinar isso e o que vem. A preocupação deles não é com o passado, a preocupação é com o que vem daqui para a frente. E daqui para a frente eles vão ver que com o superávit primário de 3% do PIB, a queda na taxa de juros real, a normalização do mercado de câmbio, sem o prêmio de risco que pagávamos antes, a trajetória da dívida vai começar a cair", justificou Fraga.
"É nisso que eles (investidores) estão preocupados. Sinceramente eu acho que os preços dos ativos no Brasil estão baratos. Então eles vão olhar esse conjunto e vão se interessar".
O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, disse também em sua entrevista ao programa Bom Dia Brasil, da TV Globo
que a trajetória para a baixa dos juros não depende apenas da queda dólar, mas também de outros indicadores. "A queda do dólar ajuda, mas não é o único fator", afirmou. "Certamente essa trajetória já começa a mostrar que há espaço para a queda dos juros", acrescentou. "A nossa postura é conservadora, não vamos nos precipitar. Estamos acompanhando os indicadores de perto", disse Fraga, para quem ainda pode ser possível a redução dos juros neste primeiro semestre. "Se as coisas andarem bem, bem antes do segundo semestre", previu.





