Fraga: governo trabalhará com metas de controle de agregados monetários
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terça-feira, 23 de março de 1999
por Gustavo Freire 
Brasília, 24 (AE) - O presidente do Banco Central, Armínio Fraga Neto, disse há pouco que o governo trabalhará até junho deste ano com metas de controle dos agregados monetários. Ele ressaltou, no entanto, que isso será feito em caráter provisório e logo depois o governo passará a ter como principal meta as taxas de inflação. "Faremos isso porque as metas monetárias tendem a ser instáveis e dependem de fatores de difícil previsibilidade", afirmou Fraga Neto. Mesmo trabalhando com metas de controle dos agregados monetários no primeiro semestre, Armínio Fraga Neto explicou que o Banco Cental já terá como meta atingir uma inflação mensal de 0,6% ao final de 1999.
O presidente do BC também salientou que em conjunto com o acompanhamento dos agregados monetários será feita uma observação sobre o nível de atividade de alguns setores da economia que lideram a cadeia produtiva.
O presidente do Banco Central, Armínio Fraga Neto, afirmou há pouco que a decisão de deixar flutuar a taxa de câmbio provocará por si só uma redução do déficit em transações correntes do País com o Exterior. Sem precisar números, Fraga Neto garantiu que o déficit será bastante inferior ao verificado em 1998. Ele também comentou que esse déficit será em grande parte financiado por investimentos estrangeiros. "Em função disso, não há necessidade de captações novas e de capitais de curto prazo para tapar buracos", disse Fraga Neto.
O presidente do Banco Central, Armínio Fraga Neto, afirmou há pouco que a partir do segundo semestre as intervenções do Banco Central no mercado de câmbio deverão passar a ser "bastante raras" e acompanhadas de outras políticas. "Não acredito que as intervenções por si só resolvam o problema. Se não forem acompanhadas de outras políticas, as intervenções acabam sendo apenas desperdício", disse Fraga Neto. Sobre intervenções que vem sendo feitas recentemente no mercado de câmbio, o presidente do Banco Central voltou a enfatizar que elas visam apenas irrigar o mercado e não balizar uma taxa de câmbio almejadas pelo Banco Central.
O presidente do Banco Central, Armínio Fraga Neto, afirmou há pouco que acredita que há espaço para uma queda relevante das taxas de juros reais neste ano e no futuro. Ele disse que esse espaço passará a existir em função da redução do déficit em transações correntes, da diminuição do déficit fiscal e da própria perspectiva de que não há mais necessidade de os juros embutirem uma previsão de risco contra uma possível desvalorização no câmbio. Ele ressaltou que a situação, atualmente, começa a apontar para "onde queríamos". O presidente do BC lembrou que as próprias taxas de juros praticadas em mercado já começam a ceder. Fraga Neto disse que as taxas de juros de um ano, que chegaram a cerca de 70% estão atualmente em aproximadamente 37% o que para ela, é "um bom sinal".


