Brasília, 28 (AE) - O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, deverá entregar amanhã (29) à CPI dos Bancos o relatório da comissão de sindicância do BC que apurou o vazamento de informações ao mercado sobre a desvalorização do real. Segundo Fraga, a comissão concluiu que contra o funcionário do BC, Alexandre Pundek, que depõe amanhã (29) na CPI, não foi constatado qualquer indício de irregularidade ou vazamento de informação. "Ele continua trabalhando normalmente", assegurou.
Pundek era assessor direto do ex-presidente do BC, Francisco Lopes, acusado de repassar a sócios privados informações sobre a condução da política econômica e, ainda, de ter favorecido os bancos Marka e FonteCindam com a venda de dólares abaixo da cotação do mercado na mudança de política cambial. Foi Pundek quem recebeu o ex-presidente do Marka, Salvatore Cacciola, quando ele esteve no Banco Central tentando falar com Lopes. Ele permanece como assessor do diretor de Política Monetária, Luiz Fernando Figueiredo, e secretário-executivo do Comitê de Política Monetária (Copom).
De acordo com Fraga, os integrantes da comissão de sindicância asseguraram, ainda, ter ouvido dos procuradores do BC que, no dia da operação com o Marka e o FonteCindam, o departamento jurídico foi consultado verbalmente. A conclusão foi que a operação poderia ser feita porque tinha bases legais. Ao todo, a comissão de sindicância ouviu 27 pessoas. Além de Lopes, foram também investigados Cacciola e Luís Antônio Gonçalves, presidente do FonteCindam.
Depois de oito dias no exterior, Fraga disse que receberia o relatório à noite e leria antes de repassá-lo à CPI. Ele explicou, entretanto, que ao longo dos trabalhos da comissão, informações foram sendo prestadas aos senadores. Foi com base nestas informações, segundo o presidente do BC, que a CPI soube que o ex-sócio de Lopes na Consultoria Macrométrica, Luís Augusto Bragança, tinha estado em Brasília acompanhado por Cacciola e tinha sido recebido sozinho por Lopes.

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