Fraga é ideal para transição do real, diz economista da FGV
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 02 de fevereiro de 1999
Por Renata de Freitas 
São Paulo, 02 (AE) - O novo presidente do Banco Central, Armínio Fraga, tem o perfil ideal para conduzir a política cambial brasileira neste momento de transição. Essa é a opinião do professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas Ernesto Lozardo. Segundo ele, o governo adota uma estratégia semelhante à da China ao resgatar para instituições públicas os profissionais que têm grande experiência nos principais mercados capitalistas do mundo. Lozardo era um dos diretores do Fundo Soros.
"Hong Kong e a China mandaram as melhores cabeças para serem treinadas em economias capitalistas para se tornarem grandes operadores desse mundo novo", afirmou. "Esses profissionais voltam como grandes executivos à frente das grandes estatais", disse, argumentando que as críticas da oposição à indicação de Fraga não se justificam.
"Fraga foi um brilhante diretor na área de câmbio e tem uma vivência internacional que ninguém no Banco Central tem", avaliou Lozardo. "Ele é a pessoa mais indicada para essa fase de transição do câmbio", acrescentou. O economista observou ainda que esse período em que o câmbio fica livre e sob todos os ataques demanda um "grande operador" à frente do Banco Central. E esse não é o perfil de Francisco Lopes.
A recuperação do real em relação ao dólar deve se manter ao longo dos próximos 30 dias, na opinião de Lozardo. Ele disse que exportadores e especuladores constataram que o dólar chegou ao seu limite e que, da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI), só podem vir boas notícias.
Os exportadores vão buscar rapidamente mercados porque sabem que daqui para a frente tendem a perder receita. Os importadores
por outro lado, não assumirão riscos até que o dólar caia para menos de R$ 1,60. "O FMI nos garante qualquer risco que possa haver, externo ou interno", declarou Lozardo. "Existe o consenso internacional de que o Brasil precisa ser ajudado e o FMI não irá contra isso", afirmou. "Tudo vai no sentido de restaurar a credibilidade do Brasil rapidamente".


