Fraga diz que recolhimento de compulsório continuará caindo
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domingo, 26 de março de 2000
Por Irany Tereza 
Rio, 27 (AE) - O governo pretende continuar reduzindo o percentual de recolhimento do compulsório pago pelos bancos ao longo do ano, "à medida que isto seja possível", como afirmou hoje o presidente do Banco Central, Armínio Fraga. Numa estimativa que qualificou de "tosca", ele disse que o impacto da calibragem feita há duas semanas no compulsório, com redução de dez pontos percentuais (passou de 65% para 55% o recolhimento sobre os depósitos à vista) deve ser equivalente a uma "redução modesta" dos juros ao consumidor. Esta queda deve se situar entre 0,1 e 0,2 ponto percentual.
Em palestra dada a pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Fraga rebateu um questionamento sobre a frustração que a não redução, pelo Comitê de Política Monetária (Copom), da taxa básica de juros causou ao mercado na semana passada. "No ano passado claramente privilegiamos a redução dos juros, que passaram de 45% para 19% e o compulsório não diminuiu tanto", afirmou. "Creio que esta equação provavelmente continua valendo, só que agora as dimensões são mais razoáveis e não lidamos mais com juros de emergência." Os juros, na definição do presidente do BC, estão num patamar intermediário entre a emergência e a normalidade. Ele comentou que a queda do compulsório foi feita também por isso. "Isso foi possível graças a uma percepção de que a coisa começava a melhorar", declarou.
Segundo ele, outras medidas tomadas pelo BC na área de crédito também terão impacto para a reação da economia. "Este início de crescimento do crédito que hoje é tímido vem do lado da oferta ainda, não há ainda grandes demandas", diz Fraga. "Os sinais são muito positivos, mas ainda não se tem nenhuma euforia." Segundo o presidente do Banco Central, o governo esperava "o momento oportuno" para reduzir o compulsório. Ele acredita que a fase mais importante para a definição do quadro econômico nacional se dará agora, nos segundo e terceiro trimestres do ano, quando tiverem sido administrados os efeitos do choque do petróleo, do aumento do salário mínimo e absorvidas todas as elevações das tarifas públicas.
Para Fraga, ainda haverá mais alguns aumentos de tarifas ligados ao Índice Geral de Preços (IGP) alto, do período pós-inflação. Ele não quis dar entrevistas, mas na palestra deixou claro que a opção pela redução do compulsório não invalida a tendência de queda dos juros, decidida na última reunião do Copom. "Pretendemos reduzir todas as distorções em paralelo, até onde pudermos", alertou. Ele acrescentou que o governo está avaliando agora o impacto do choque do petróleo, mas não evitou entrar em detalhes sobre a reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que acabou sendo estendida.


