Fraga diz que preços no atacado não ameaçam meta de inflação
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domingo, 17 de outubro de 1999
Por Tatiana Bautzer 
São Paulo, 18 (AE) - A alta dos preços no atacado, puxada pelo dólar, não ameaça por enquanto o cumprimento das metas de inflação, acredita o Banco Central. Num seminário hoje em São Paulo, o presidente do BC, Armínio Fraga, admitiu estar atento à crescente diferença entre os índices de inflação no atacado e no varejo. O IPA já subiu cerca de 20% no ano. "É possível esse seja um elemento de repasse nos próximos 18 meses", disse Fraga.
Segundo ele, o BC está conservadoramente estimando um repasse futuro maior do que o já ocorrido e, mesmo assim, o cumprimento das metas não estaria ameaçado. "A expectativa é de um IPC-A de 7,5%, abaixo da meta", disse Fraga. O presidente do BC negou ter levado em conta o risco de inflação ao evitar liberar o depósito compulsório sobre depósitos à vista no pacote para reduzir juros divulgado na semana passada. "Nossa preocupação foi apurar o que está acontecendo com o fluxo de dinheiro". A preocupação com a inflação é maior na política de intervenção do BC no câmbio. Perguntado sobre um limite informal para a cotação do dólar a R$ 2,00, Fraga respondeu que não há "números mágicos" e que o BC "fica de olho na expectativa de inflação futura e ponto final".
Juros- Fraga admitiu que uma queda significativa nos juros ao consumidor deve demorar. "Não se pode esperar um milagre a partir do anúncio do pacote", afirmou. Mas defendeu o conjunto de medidas das críticas, afirmando que o BC fez um diagnóstico preciso e criou medidas direcionadas contra os fatores que tornam o sistema financeiro ineficiente. Segundo ele
o pacote vai funcionar, e sua eficácia será monitorada pelo BC.
O presidente do BC comentou também a crise do mercado financeiro, provocada pela instabilidade na bolsa de Nova York, admitindo que um cenário externo difícil poderá afetar o Brasil. Mas afirmou que hoje o mercado já incorpora a possibilidade de acontecer algo negativo no próximo ano nos Estados Unidos, e hoje o País tem melhores condições de resistir a instabilidades externas do que há algum tempo, porque tem economia pouco alavancada e não depende de capital de curto prazo para financiar o balanço de pagamentos.
No seminário "O Futuro do Banco Central", promovido pelo Instituto Fernand Braudel, Fraga defendeu a redução do número de bancos públicos, lembrando que o estudo que está sendo concluído pelo governo deverá avaliar alternativas para os bancos públicos e uma das medidas em estudo é a transformação da Caixa Econômica Federal (CEF) em banco de fomento. Fraga disse que não vê razão para a existência de bancos comerciais públicos.
Fraga disse que suas principais preocupações no Banco Central são a renovação do quadro de funcionários do BC e a criação de um mandato para a diretoria. Na regulamentação do artigo 192, do Sistema Financeiro, o banco deverá ser autorizado a contratar profissionais qualificados no mercado. Ao defender o mandato para a diretoria, Fraga afirmou que o mandato que defende seria condicionado a objetivos econômicos específicos.


