Brasília, 15 (AE) - O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, afirmou hoje que o Brasil está próximo do ponto de virada para a retomada do crescimento. Este ano, segundo ele, é possível que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha uma variação positiva. "Com sorte teremos um pouquinho de crescimento este ano", afirmou Fraga durante exposição às comissões de Finanças e Tributação e de Economia da Câmara dos Deputados. Convidado para falar sobre o processo de reestrução do BC, ele também fez uma avaliação sobre a economia do País.
Na audiência que durou três horas, Fraga lembrou aos parlamentares que no primeiro trimestre deste ano a economia cresceu 0,7% e, no segundo, 0,9%. Nos últimos dois meses, entretanto, ele lembrou que houve uma redução no ritmo de atividades provocada pelo ambiente externo e, ainda, por causa das preocupações sobre o andamento das reformas propostas pelo governo ao Congresso Nacional. "É preciso continuar na trajetória das reformas", insistiu.
Sobre a retração dos últimos dois meses, o presidente do BC explicou ainda que o ambiente externo esteve "mais seco" com a queda do preço das exportações. Mas garantiu que "com o arcabouço do câmbio flexível e da política fiscal ajustada é possível crescer. "Não temos por que temer o crescimento", afirmou Fraga. O presidente do BC fez questão de dizer que a sua expectativa não é otimista, mas realista e positiva.
Para o crescimento, ele disse que, do ponto de vista macroeconômico, é importante a aprovação da reforma da previdência e da Lei de Responsabilidade Fiscal. Numa avaliação micro, Fraga disse que o governo tem consciência de que "acertar os ponteiros fiscais" não é suficiente para garantir o crescimento. De acordo com o presidente do BC, é preciso continuar buscando a eficiência da economia e criar competividade.
No que diz respeito ao Banco Central, ele destacou que o ponto importante é repensar o custo do capital no Brasil. Custo que vem das elevadas taxas de juros e da intermediação financeira. Fraga garantiu que o BC está na fase final para chegar ao diagnóstico sobre a diferença entre as taxas de juros básicas, que são aquelas praticadas pelo Banco Central nas operações com o mercado, e os juros cobrados dos consumidores. "Vamos ter o diagnóstico e propor soluções", garantiu.

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