São Paulo, 03 (AE) - Acusado por senadores da CPI dos Bancos de ter mentido em seu depoimento, em relação à correspondência enviada ao banco pela Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o presidente do Banco Central, Armínio Fraga se diz ressentido e afirma que não cometeu perjúrio. "Eu disse duas vezes, quando fui à CPI, e está nas notas taquigráficas, que houve contatos telefônicos entre o Banco Central e a BM&F naquele dia (em que foi decidida a operação de ajuda aos Bancos Marka e FonteCindam) e depois um contato por escrito", afirmou Fraga.
"O que eu não disse é que depois dos contatos telefônicos o BC pediu à BM&F que formalizasse o conteúdo da discussão, porque isso era apenas o BC querendo documentar o que tinha sido discutido." Em outras palavras, era uma preocupação formal de uma instituição que é formal, completou Fraga. Naquele dia, o BC
segundo Fraga, recebeu uma carta da BM&F que citava os nomes de dois bancos que teriam problemas com suas posições na bolsa: o Marka e o FonteCindam. "O BC achou que não era certo tomar qualquer medida só para duas instituições, porque naquele momento não se sabia se eram só os dois bancos a enfrentar dificuldade." Ao fim das discussões, naquele dia o BC pediu à bolsa que mandasse a carta sem especificar nenhuma instituição.
Fraga sustenta que, em seu depoimento, não pretendeu pôr a responsabilidade de qualquer decisão tomada pelos ex-dirigentes do BC sobre os ombros da BM&F. Com ou sem carta, para Fraga dificilmente seria outra a decisão da diretoria do BC que, à época, avaliou que uma liquidação compulsória de contratos dos bancos na BM&F poderia trazer riscos no momento de mudança da política cambial. Não seria correto, diz ele, o BC atribuir a operação do Marka e do FonteCindam a pressões da bolsa, da mesma forma como "há exagero da bolsa na sua atitude defensiva, porque ela assinou a carta e participou dessa discussão". Fraga considera que, com medo de ser responsabilizada, a bolsa adotou atitude defensiva e negou o envio de carta ou qualquer discussão com o BC.
O presidente do BC também ressalta que boa parte da apuração de tudo o que ocorreu tem saído da apuração dos funcionários do BC. Muito do que sai na CPI na verdade foi o BC que, em sua comissão de sindicância, apurou e informou à CPI. Entre elas, a informação de que Luiz Bragança, irmão do ex-sócio de Francisco Lopes na consultoria Macrométrica, esteve em Brasília acompanhando o banqueiro Salvatore Cacciola. Outra apuração do BC é sobre a consulta ao departamento jurídico do banco, que só teria sido feita depois de realizada a operação de socorro aos bancos.

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