Fraga diz que em 3 anos spreads bancários estarão próximos aos dos EUA
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sexta-feira, 03 de dezembro de 1999
Por Mônica Ciarelli 
Rio, 03 (AE) - O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, acredita que em três anos o Brasil possa registrar spreads bancários próximos aos praticados nos Estados Unidos e Europa. Ele informou que o levantamento realizado pelo BC nos últimos meses já aponta um recuo nas taxas, que deve se acentuar nos próximos anos. "Num horizonte de um ano essa queda vai ficar mais clara e num intervalo de dois a três anos os spreads devem voltar à normalidade", afirmou Fraga, que participou de uma palestra promovida pela Câmara de Comércio Americana.
A queda é reflexo das medidas adotadas em outubro para reduzir o "spread", a diferença entre a taxa de captação dos bancos e o juro cobrados nos empréstimos. O comportamento dos spreads pode ser acompanhado pelo site do Banco Central na Internet. A intenção do órgão é que o consumidor pesquise as taxas mais baratas praticadas pelas instituições e, com isso, aumente a concorrência no mercado.
O presidente reafirmou que pensar em um crescimento em torno de 5% a 6% é razoável a médio prazo. Ele não considera o número uma previsão otimista do governo, mas um reflexo da recuperação do comércio externo e da percepção de que a reforma tributária vai conseguir equilibrar as contas públicas. A estimativa é que o investimento possa atingir até 24% do Produto Interno Bruto (PIB) a médio prazo. Hoje esse percentual varia em torno de 19%. O aumento nos investimentos permitiria um crescimento mais acelerado na próxima década.
Em seu discurso, Fraga reiterou o comprometimento do governo com o processo de reforma tributária e afirmou que a equipe econômica já está chegando a uma forma de operacionalizar a transição tributária. "Hoje o consenso é que temos de sair do PIS, da Cofins, do Pasep e partir para o Imposto de Valor Adicionado", explicou.
Câmbio - O presidente do BC analisou que a valorização do real nos últimos dias reflete também a percepção do mercado em torno da melhora no balanço de pagamentos. "Estão vendo uma situação mais tranquila", disse. Fraga explicou que a cotação do dólar a R$ 1,98 para dezembro de 2000, acertada no acordo com o FMI, não é uma previsão. "Era preciso definir um número para a contabilidade e a escolha foi feita com base na taxa que estava vigorando.


