Londres, 04 (AE) - O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, afirmou hoje em Londres que o controle da inflação é objetivo básico da política econômica e que por isso o governo está atento aos aumento de preços registrados neste mês. Mas, segundo ele, esses aumentos não terão efeitos nas taxas de inflação no médio prazo. "Nós vamos olhar o efeito líquido e procurar calibrar a política monetária a partir daí. É um elemento que nós vamos observar, mas não há nada que indique que isso vá reverter a trajetória da inflação." As declarações de Fraga em relação à tendência das taxas de juro causaram muita confusão no mercado.
Uma jornalista perguntou ao presidente do Banco Central se a aceleração inflacionária registrada neste mês somada ao aumento de algumas tarifas mudaria, de alguma forma, a atual política do BC, se haveria alta de juros em breve. O presidente do BC respondeu: "Nós vamos avaliar o impacto desses aumentos. Nossa avaliação preliminar é que de fato isso pode provocar um aumento
mas é um aumento de um mês que não se transformará numa taxa de inflação e que a nossa política é de certamente se tomar cuidado com isso mas que o impacto de longo prazo, de médio prazo até, será limitado. Mas de fato é algo que está para ocorrer e até é importante que isso seja parte do processo. Por exemplo: preço de gasolina, é natural que o preço da gasolina espelhe o comportamento do preço internacional do petróleo que saiu de 12 e foi agora para 17, 18 dólares o barril. Isso são coisas que nós vamos ter que nos acostumar a ver, as tarifas de energia e de telecomunicações agora obedecem a regras próprias, a de telecomunicações, em particular a Anatel, tem critérios e ao mesmo tempo outros preços estão caindo também."
Para alguns jornalistas, o presidente do BC sinalizou que a taxa de juro poderia subir por um mês. Na verdade, Fraga havia se referido ao índice da inflação. Para esclarecer o assunto, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figuereiredo, explicou, por meio da assessoria de imprensa da instituição, que uma alta pontual da inflação em algum índice em algum mês não provocaria um impacto na taxa de juros. "O Banco Central se preocupa com a taxa de juros de médio e longo prazo e não de curto prazo", afirmou.
De fato, Armínio Fraga adotou um discurso mais cauteloso em relação à tendência da taxa de juros. A possibilidade da elevação dos juros norte-americanos e a turbulência econômica na Argentina são fatores que não podem ser ignorados. "Esses dois fatos e alguns problemas internos no Brasil, como os eventos políticos das últimas duas semanas e o problema com o Estado de Pernambuco, afetaram a expectativa do mercado e isso, certamente
não ajuda. Nosso principal objetivo será avaliar quais as implicações disso para a inflação. Se as previsões de inflação forem afetadas, teremos que levar em conta esses fatores".
Armínio Fraga participou em Londres de um seminário sobre metas monetárias, promovido pelo Banco da Inglaterra e que reuniu cerca de 50 presidentes de Bancos Centrais da Comunidade Britânica - que reúne ex-colônias britânicas. Fraga concentrou suas atenções no sistema de metas inflacionárias, em vigor na Grã-Bretanha, e que o Brasil vai adotar no segundo semestre.Segundo ele, nos próximos dias o ministro Pedro Malan deve anunciar qual o índice de preços ao consumidor que será escolhido pelo governo para servir como base das metas. No final do mês, Malan deve divulgar quais as metas inflacionárias até o ano 2001.

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