Fraga diz que Brasil está menos vulnerável a impacto financeiro
Nova York, 14 (AE) - O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, afirmou há pouco que o governo brasileiro está preocupado com a volatilidade das bolsas de valores norte-americanas, mas afirmou que o Brasil está menos vulnerável a impactos financeiros do que no passado. "Nosso balanço de pagamentos não depende do capital de curto prazo e nossa situação fiscal é boa", afirmou. "É claro que, se houver um grande crash, seremos afetados", ponderou.
Ao falar hoje para executivos e empresários numa conferência promovida pela Câmara de Comércio Brasileira-Americana, Fraga reafirmou a necessidade do governo de reduzir as taxas de juros para um dígito. "Nós precisamos chegar ao território de um dígito, mas isto ainda será resultado de outras políticas", disse. Segundo ele, é mais fácil para o governo atuar tentando reduzir o spread entre o juro básico do Banco Central e o juro que o consumidor paga, que está em torno de 40% hoje. "Precisamos reduzir isto (spread) para de 1% a 15% nos próximos anos".
Fraga não quis fazer nenhum comentário sobre qual seria o valor que o governo espera ter de pagar se condenado pelo Supremo Tribunal Federal, em relação aos processos do FGTS. Mas, questionado por um jornalista sobre as projeções feitas de que esse valor estaria em torno de US$ 40 bilhões, ele respondeu: "Esta cifra é totalmente inaceitável."
Fraga disse que o próximo objetivo do governo brasileiro é aumentar os prazos dos vencimentos dos papéis de dívida soberana. Fraga lembrou que, há um ano, os papéis do governo tinham prazo entre três e seis meses e que, agora, esse período já cresceu para de seis meses a um ano. Fraga reafirmou que o crescimento do PIB brasileiro este ano deve superar os 4%. De Nova York, Fraga viajaria hoje para Boston, onde participa de reunião acadêmica e parte em seguida para Washington, para a reunião do FMI.





