Fraga diz que Brasil deu virada para o crescimento
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quinta-feira, 02 de dezembro de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 02 (AE) - O presidente do Banco Central (BC), Armínio Franga, disse hoje, ao comentar a política cambial adotada pelo governo, que "temos hoje o início de uma virada que nos parece fundamental para permitir o crescimento do País". Sem explicar se aludia à queda contínua do câmbio ao longo do dia e intensificada à tarde, Fraga emendou o comentário falando sobre o bom desempenho das exportações brasileiras, que começaram a crescer após "uma fase de estagnação".
"Os produtores enxergam oportunidades de negócios no mundo", afirmou o presidente do BC, citando, em seguida, os US$ 28 bilhões de investimentos diretos que o País receberá neste ano. De acordo com ele, há cinco ou sete anos, o Brasil recebia investimentos em torno de US$ 1 ou US$ 2 bilhões. "Isso fala muito da nossa produtividade no futuro", disse.
Durante seminário na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Fraga voltou a reafirmar o "comprometimento" do governo com a aprovação da reforma tributária. "Há consenso de que a estrutura fiscal precisa ser revista e de que um conjunto de impostos, que são nocivos e perniciosos à produção, devem ser substituídos", afirmou, ponderando que a reforma deve ser aprovada em 2000.
Fraga fez uma análise da atual quadro macroeconômico brasileiro, explicando por que o governo acredita que o País pode ter um crescimento em torno de 5% ou 6% do PIB a médio prazo. De acordo com Fraga, o Brasil está promovendo mudanças tanto de caráter macro como microeconômico, o que vai garantir o aumento da produtividade das empresas brasileiras. Segundo ele, 19% do PIB hoje é destinado ao investimento e a meta do governo é que este percentual suba para até 23% no futuro. Fraga afirmou que este salto depende da capacidade de poupança interna e também da manutenção da atração de investimentos estrangeiros.
Lei das S.A. - De acordo com Fraga, o Banco Central quer aprimorar o funcionamento do mercado de capitais em 2000. Uma das metas é melhorar a atual Lei das S.A., garantindo maior proteção aos investidores minoritários e aos investidores em geral. "O mercado de capitais é uma prioridade", disse o presidente do Banco Central. Ele disse que o BC tem projetos que visam reduzir o spread bancário, aumentando a eficiência da alocação dos recursos. Segundo ele, os recursos da poupança devem ser melhor direcionados em paralelo ao projeto de liberalização financeira. Estes projetos visam "desamarrar" o mercado financeiro que, por ter um custo muito elevado, prejudicaria o setor produtivo.
Ao responder uma pergunta durante o seminário, sobre a possível independência do BC, Fraga disse: "Estamos prontos para dar este passo final". Segundo ele, a adoção do sistema de metas inflacionárias deu início a um novo compromisso entre o governo e o BC, que desembocaria na independência. Fraga explicou que está em tramitação no Congresso uma emenda constitucional que fixa um mandato para a diretoria do banco. "Não se pretende um mandato absoluto, mas focado no controle de preços". Ele disse que não gostaria de transmitir a idéia de que está fazendo lobby pela independência. Mas, ponderou, este é um tema que vem sendo discutido há muito tempo e conta com seu apoio.


