Fraga descarta cancelamento de socorro a bancos
PUBLICAÇÃO
domingo, 02 de maio de 1999
Por Denise Neumann 
São Paulo, 03 (AE) - O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, reafirmou hoje que as operações de socorro aos bancos Marka e Fonte-Cidam foram "legais". Por isso, na sua avaliação
"não existem elementos para justificar que elas sejam canceladas". Sua declaração foi feita em um concorrido almoço promovido pelo Instituto Brasileiro de Executivos Financeiros (Ibef), do qual participaram cerca de 300 profissionais de grandes empresas e bancos.
Fraga fez uma pequena exposição sobre a mudança cambial e as perspectivas (boas, na sua avaliação) da economia brasileira. Na sequência, os executivos financeiros podiam fazer perguntas. Embora a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do sistema financeiro fosse o assunto mais comentado antes do almoço, na hora de fazer as perguntas, apenas um executivo admitiu o interesse e fez uma pergunta diretamente relacionada às investigações - e foi a última pergunta do evento.
O diretor do Ibef, Cândido Vale, perguntou à Fraga se a operação de socorro ao Banco Marka poderia ser cancelada e quais as consequências de tal ato. O presidente do BC descartou totalmente a hipótese. "As operações foram legais e portanto não vejo elementos para que sejam canceladas". Em seguida, acrescentou: "Entendo a demanda por uma punição maior para os envolvidos, mas vivemos em um estado de direito e as coisas têm que ser feitas de acordo com as leis e, neste sentido, é difícil voltar atrás."
No encontro, que durou menos de duas horas, a CPI foi comentada indiretamente por Fraga em uma pergunta que questionava o presidente do BC a respeito da autonomia da instituição, sem, no entanto, referir-se diretamente às investigações. Na resposta, Fraga ponderou que o momento é importante para o BC e ele acredita que a tendência é que a instituição ganhe maior autonomia operacional, mas que esta virá acompanhada de um sistema de prestação de contas. "Um Banco Central não faz o que quer, mas o que a sociedade determina", argumentou.
Fraga entrou e saiu pela porta de emergência do salão onde ocorreu o evento e não atendeu à imprensa.


