Rio, 25 (AE)- O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, defendeu hoje em palestra na Firjan, a adoção de uma moeda única pelo Mercosul. Fraga afirmou que esse projeto é de médio e longo prazos e essa moeda iria flutuar vis a vis com as grandes moedas mundiais. O presidente do BC afirmou que enquanto essa idéia é analisada, o Mercosul terá tempo para avaliar casos como o do padrão ouro e da aplicação do Euro. "Vamos aprender com nossos avós europeus", disse Armínio. Ao tratar do tema, ele afirmou que nem o Brasil tem a intenção de adotar o dólar e nem a Argentina e os países vizinhos, de adotar o real como moeda única. "O desafio é dar credibilidade para nossa moeda", afirmou Armínio, que participa do Seminário América Latina Pós-Crise Brasileira promovido pela FGV.
Previdência - Segundo Fraga, o sistema previdenciário brasileiro "não vai exibir uma piora exponencial ao longo dos próximos anos". Mesmo assim, afirmou, a reforma previdenciária é a mais importante para as contas do governo a longo prazo e a tarefa é transformá-la de "um leque de riscos" para "um leque de oportunidades". Ele lembrou que o problema da Previdência já vem sendo tratado pelo governo há algum tempo e tem apresentado melhoras.
Ao falar da necessidade do governo de cortar gastos, Fraga afirmou que a reforma tributária é talvez a mais importante no âmbito da economia porque melhorará a competitividade e irá desonerar as exportações. O presidente do BC afirmou que é preciso que o governo dê "uma resposta final" nas questões fiscais para que a sociedade e os investidores tenham "confiança sólida" na economia brasileira.
Recuperação - Fraga disse que também se surpreendeu com a velocidade da recuperação da economia brasileira. Para explicar essa recuperação, o presidente do Banco Central citou o baixo nível de alavancagem do setor privado, o baixo grau de risco das empresas, a desvalorização cambial e o fato de que, entre novembro e dezembro, o Brasil já estava dando sinais de que tinha chegado "ao fundo do poço". Segundo Fraga, a recessão começou de fato em julho do ano passado.
Outro fator lembrado pelo presidente do BC foi o apoio das instituições financeiras internacionais. Fraga confirmou que o ministro da Fazenda, Pedro Malan, divulga na semana que vem a meta de inflação, que o BC terá que perseguir neste e nos próximos dois anos. O novo sistema, disse Fraga, é mais adequado a uma economia de mercado moderna e trará a vantagem da transparência. Ele lembrou que, oito meses depois do presidente Fernando Henrique anunciar o esforço para conter o déficit e combater a crise, a economia brasileira produz superávits primários de 3% do PIB nos gastos do governo. "O compromisso é para valer", ressaltou Fraga, para quem sem a virada na situação fiscal o Brasil não pode voltar a crescer.

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