Fraga controla crise ao aceitar prontamente demissão de auxiliar
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sexta-feira, 26 de novembro de 1999
Por José Ramos e César Felício 
Brasília, 26 (AE) - O presidente do Banco Central, Armínio Fraga Neto, conseguiu evitar uma crise entre a equipe econômica do governo e a sua base aliada no Congresso ao aceitar imediatamente o pedido de demissão do diretor de fiscalização do BC, Luiz Carlos Alvarez. O diretor afirmou hoje horas antes de ser demitido, que o relatório final da CPI do Sistema Financeiro no Senado, aprovado por unanimidade, era "um lixo".
"A providência demostra que o Banco Central tem um presidente que exerce a presidência com autoridade, e isto só aumenta meu apreço por ele", disse o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), para quem, "Armínio mostra qualidades de grande administrador". A rapidez de ação do presidente do Banco Central surpreendeu também o presidente do PPS, senador Roberto Freire (PE), que no começo do ano levantou uma questão de ordem no momento em que Armínio Fraga era sabatinado pelo Senado, alegando que a indicação não podia ter sido feita porque Fraga não tinha reputação ilibada. "Ele está sendo melhor que a encomenda que eu imaginava que viria", disse.
O relacionamento entre parlamentares e o ministério da Fazenda já estava estremecido em razão das críticas feitas pelo ministro Pedro Malan ao relatório da reforma tributária aprovado pela Comissão Especial da Câmara. A entrevista de Alvarez hoje pela manhã foi considerada explosiva especialmente porque o autor da parte referente ao Proer no relatório final da CPI foi o presidente do PMDB, senador Jáder Barbalho (PA), que na última quinta-feira criticou duramente o ministro da Fazenda pela sua oposição à decisão dos deputados.
Ao saber da demissão, Barbalho procurou minimizar o episódio. "Alvarez tem um grau de confiabilidade tão sólido que já é um ex-diretor", comentou, afirmando que "Alvarez demonstrou o seu despreparo político para o cargo". Para o relator da CPI, senador João Alberto (PMDB-MA), a demissão de Alvarez era previsível. "Este homem é muito temperamental", afirmou o senador, relatando um episódio como exemplo.
"Há alguns meses, ele disse em reunião no Banco Central ao líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF), que não tinha por que atender com presteza aos pedidos da CPI porque não era serviçal de políticos", disse, acrescentando que "Arruda se levantou exigindo respeito e Alvarez se pôs de pé também gritando com o senador, de dedo em riste, que queria ser respeitado da mesma forma". De acordo com João Alberto, "Armínio Fraga assistiu a tudo abismado".


